Cenários
são como sondas para o futuro. Seu valor está em sensibilizar os
executivos para possibilidades que eles dificilmente perceberiam
de outra forma. Cenários reduzem as chances de surpresas indesejáveis
e capacitam os executivos a tomar melhores decisões, em melhor timing.
Oscar Motomura
Ainda
são poucos os executivos que perguntam-se uma questão fundamental:
"Queremos ou não controlar nosso próprio futuro ?"Para
aqueles que respondem afirmativamente, Cenários têm um valor incalculável.
O
propósito essencial de cenários é apresentar aos executivos uma
imagem significativa de futuros prováveis, em horizontes de tempo
diversos. A partir dos cenários os executivos podem projetar o inter-relacionamento
de sua organização com o ambiente daqui há alguns anos. Eles podem,
também, projetar formas de alterar esse relacionamento, visando
assegurar um posicionamento mais favorável da empresa no futuro.
É
importante que se faça uma distinção clara entre cenários e previsões.
Freqüentemente previsões não passam de simples extrapolações de
tendências. Cenários por sua vez, são sistemas complexos, que buscam
revelar sinais precoces de alterações do futuro.
Mas,
o que constitui um "bom" cenário ?
| 1. |
Bons
cenários afetam o julgamento dos executivos sobre como o futuro
deve ser. Muitas vezes cenários são desenhados para serem profecias
auto-realizáveis (positivas ou negativas). Por isso, a arte
de preparar e interpretar um cenário é apenas o primeiro passo
para alterar o futuro. |
| 2. |
Bons
cenários reconhecem que ainda que passado e presente sejam importantes
no estabelecimento de direções para o futuro, o objetivo de
executivos é transformar as tendências, o que requer visões
de um futuro radicalmente diferente. Em outras palavras, eles
levam em conta a dinâmica do futuro e o poder de ação humana
para molda-lo. |
| 3. |
Bons
cenários permitem a tradução de declarações sobre o futuro em
insights sobre riscos/probabilidades para o tomador de decisões.
Cenários de qualidade guiam os executivos em "cálculos"
mentais sobre o que pode acontecer e as inter-relações entre
os fatos e suas decisões. |
| 4. |
Bons
cenários testam todos os elementos de um sistema mais amplo
e suas interações com o ambiente. Por isso, eles levam em conta,
de forma abrangente e equilibrada, aspectos econômicos, tecnológicos,
sociais, políticos, psicológicos, culturais, espirituais, etc. |
| 5. |
Bons
cenários oferecem descrições tão vívidas do futuro que os executivos
podem colocar-se na situação de compreender esse futuro de uma
maneira que não seria possível apenas por meio de números e
gráficos. Algumas vezes até artistas são utilizados para dotar
cenários dessas qualidades. |
| 6. |
Bons
cenários dão "pistas" que podem ser verificadas anos
antes da ocorrência dos eventos que elas sinalizam. Essa é uma
diferença fundamental entre cenários de qualidade e meras especulações
futurísticas sem fundamento. |
| 7. |
Bons
cenários são resultado de reflexões de pessoas com referenciais
intelectuais, culturais e sociais diversos. A diversidade de
opiniões assegura a riqueza dos futuros idealizados e dá margem
aos executivos para optar pelo futuro que eles desejam construir. |
MOTOMURA,
Oscar. Coletânea Cenários. São Paulo : Amana Desenvolvimento e Educação,
1990.
Para
se ter uma visão prospectiva dentro do horizonte definido, duas
opções são possíveis para se utilizar Cenários em Planejamento:
| a. |
construir
um "Cenário de Referência" específico para sua empresa
ou para o setor de sua atuação, ou |
| b. |
utilizar
os Cenários disponíveis e chegar ao "Cenário Referência". |
Se
a organização tiver interesse em utilizar um Cenário específico,
poderá consultar "fornecedores de cenários" tais como:
|
Cenários
Políticos
|
Cenários
Tecnológicos
|
1.
Alexandre Barros
Prof. da U.N.B.
Brasília |
1.
Programa de Estudos do Futuro
Prof. Ruy Aguiar da Silva Leme
Instituto de Administração da USP |
2.
Goes, Piquet e Lobo
Brasília |
2.
Meta Tech Estratégias Tecnológicas
Brasília |
3.
Said Farhat
Semprel Brasília |
4.
Carta Política Elementos para Decisão Política
e Econômica
Editora Conjuntura Ltda. - São Paulo |
|
Cenários
Econômicos
|
Cenários
Mercadológicos
|
1.
Macrométrica Pesquisas Econômicas
Rio de Janeiro |
1.
Business International do Brasil
Subsidiária da The Economist
James Wygand
São Paulo |
2.
Hedge Consultoria Econômica Ltda.
Belo Horizonte |
2.
IPPM Instituto Paulista de Pesquisa de Mercado
Antônio Leal - São Paulo |
3.
Indicadores
Antecedentes
AMR. Editora Ltda. - São Paulo |
4.
Suma Econômica
São Paulo |
Outra opção é utilizar os vário Cenários disponíveis, como o do
BNDES "Cenários para a economia brasileira até o ano 2000"
ou de publicações especializadas como as revistas Cenários, Suma
Econômica e os boletins da Macrométrica, Indicadores Antecedentes,
etc., e chegar ao "Cenário Referência" para o planejamento
da sua empresa.
Algumas
empresas utilizam como Cenário Referência publicações técnicas e
livros significativos como os de Toffler e Naisbitt. Apresentamos
a seguir os Cenários apontados pelo livro "Megatrends 2000",
de John Naisbitt e Patricia Alburdene.
As
megatendências
A
nova década dá início a uma nova era. Um período de assombrosas
inovações tecnológicas, oportunidades econômicas sem precedentes,
surpreendentes reformas políticas e intenso renascimento cultural.
Uma década como nenhuma das anteriores, culminando no milênio, o
ano 2.000.
Concebidas
sob a influência do próximo milênio, as tendências mais importantes
da década de 90 são os portões de entrada para o século 21. As megatendências
não surgem e desaparecem de uma hora para outra. São mudanças sociais,
econômicas, políticas e tecnológicas que se formam lentamente e
uma vez estabelecidas, nos influenciam por algum tempo - entre sete
e dez anos, ou até mais.
Aqui
são apresentadas dez novas megatendências em relação às quais será
possível conectar as informações que fluirão de forma cada vez mais
acelerada nos anos 90. São megatendências que influenciarão elementos
importantes da vida de cada pessoa, suas decisões quanto à carreira
e emprego, suas escolhas em termos de viagem, negócios e investimentos,
lugar onde residir e educação dos filhos. Para obtermos o máximo
desta extraordinária década precisamos estar conscientes das mudanças
que estão ocorrendo a nossa volta.
| 1. |
A
explosão econômica global na década de 90 |
Na
década de 90, o mundo entra num período de prosperidade econômica
ocasionado por uma extraordinária confluência de fatores. A mais
impressionante mudança é a velocidade com que caminhamos para uma
economia única. As forças econômicas do mundo estão ultrapassando
as fronteiras nacionais o que resulta em mais democracia, mais liberdade,
mais comércio, mais oportunidades e mais prosperidade.
Uma
única economia. Um único mercado. Esse é o próximo nível natural
da história econômica da civilização. Durante séculos tivemos uma
coleção de nações-estados macroeconômicas, em grande parte auto-suficientes
economicamente. Dentro das nações-estados as tarefas com o passar
dos anos foram sendo divididas. Hoje já estamos avançados no processo
de distribuir tarefas econômicas entre nações e nos dirigimos à
interdependência que isso implica.
Na
economia global as considerações econômicas quase sempre transcendem
às considerações políticas porque, com relações econômicas em ascensão
os principais executivos das empresas de um país são com freqüência,
mais importantes do que as figuras políticas. Na economia global,
presidentes, primeiros ministros e parlamentos tornam-se cada vez
menos importantes. A principal tarefa deles, no âmbito internacional,
passa a ser a de realinhar estruturas políticas para facilitar a
globalização de todas as economias.
Livre
Comércio
Para
uma economia global funcionar será preciso um comércio completamente
livre entre nações. E isso já começa a acontecer.
|
m
|
O
acordo de 1988 entre EUA e Canadá derrubou todas as barreiras
comerciais. Tratados semelhantes serão firmados com o México
em seu devido tempo. |
|
m
|
Em
1992 todas as barreiras comerciais serão derrubadas entre as
12 nações da Comunidade Econômica Européia. |
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m
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Austrália
e Nova Zelândia desde 1988 têm acordo de livre comércio. |
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m
|
Brasil
e Argentina trabalham para um acordo de livre comércio, o que
dará início a um mercado comum sul-americano. |
|
m
|
Desde
1988 circulam versões sobre um acordo de livre comércio entre
Japão e Estados Unidos, algo impensável apenas alguns meses
antes. |
Telecomunicações
Estamos
caminhando nas telecomunicações para a formação de uma rede mundial
única. Aproximamo-nos do dia em que teremos capacidade de comunicar
qualquer coisa a qualquer pessoa em qualquer lugar de todas as formas
- voz, dados, texto e imagem - à velocidade da luz.
Reforma
Tributária
Num
mundo muito competitivo, taxas de imposto de renda mais baixas estimulam
as pessoas a trabalharem mais e a serem mais corretas na sua declaração.
A longo prazo essa política resulta em mais e não menos imposto
recolhido pelos governos.
Diminuição
de Tamanhos
Uma
diminuição de tamanhos de bens chamada de "downsizing of economic
output" facilita e torna cada vez mais eficiente a comercialização.
Os produtos tornam-se menores, mais leves, mas também mais eficientes
e eficazes. Quanto mais se reduz o peso e o volume dos bens mais
fácil fica seu transporte entre nações.
Inflação
e Juros
A
inflação será contida em função de maior competição mundial por
preço e qualidade, constituindo um novo fenômeno. Da mesma forma,
as taxas de juros serão contidas em função de um volume suficiente
de capital no mundo e pela competição mundial pelo "aluguel"
de dinheiro e em termos de seu "pricing".
Explosão
de Consumo na Ásia
Os
asiáticos serão os grandes consumidores dos anos 90. Durante a década
80 milhões de consumidores serão agregados nos países asiáticos
mais ricos, contra cerca de 10 milhões na Europa, representando
grandes oportunidades para países produtores.
O
Avanço da Democracia
A
mudança global de regimes autocráticos para democracias constrói
a base política para o crescimento econômico. A democracia é de
longe o melhor contexto para o fomento empreendedor individual.
Paz
e não Guerra
As
pessoas em toda parte começam a perceber que a guerra é agora uma
forma obsoleta de solucionar problemas. Entre os 44 países mais
ricos do mundo não há guerras desde 1945. Os conflitos regionais
na década de 90 não envolverão muito as superpotências. Parece claro
agora que os anos 80 foram um década em que as economias se tornaram
mais importantes que as ideologias. Essa nova visão mundial libera
dólares, talento e energia que estavam sendo canalizados para a
corrida armamentista
Ambiente
A
preocupação do mundo com a defesa e a guerra fria está diminuindo
e sendo substituída pelas considerações sobre a destruição do nosso
ambiente natural, agora nosso mais importante problema comum.
Economia
de Altos Salários
Durante
os anos 90 os trabalhadores qualificados e de elevado nível educacional
da era da informação, ganharão os mais altos salários da história.
Quanto mais a economia de informações evoluir melhores serão os
empregos e maiores os níveis de remuneração.
Renascimento das artes
Nestes
anos que precedem o final do milênio haverá uma mudança fundamental
e revolucionária nos hábitos e prioridades de gastos das pessoas
em termos de lazer. As artes substituirão gradualmente os esportes
como atividade básica de lazer da sociedade.
Até
agora no século XX a alta tecnologia e a industrialização vinham
substituindo seres humanos por máquinas. Com o fim das guerras grande
parte da humanidade se vê livre para refletir, para explorar o que
significa ser humano. As implicações econômicas desta busca espiritual
são desconcertantes. O moderno renascimento das artes visuais, poesia,
dança, teatro e música contrastará com a recente era industrial
em que o militar era o modela e os esportes a metáfora.
Nos
Estados Unidos a iniciativa privada financiará esta mudança histórica.
As empresas que já são o principal patrocinador de arte nos Estados
Unidos em breve começarão a abandonar os esportes e cada vez mais
se voltarão para as artes para definir suas imagens e vender seus
produtos. As empresas ganharão mais prestígio entre consumidores
sofisticados apoiando as artes do que simplesmente apregoando seus
produtos. Os empregos em empresas no campo artístico estão aumentando
de forma impressionante. O teatro Broadway de Nova York já vende
mais entradas do que o time de beisebol dos Yankees e dos Mets juntos.
Nas temporadas de 1957 e 1988 mais de 25 milhões de pessoas assistiram
aos espetáculos das 230 principais orquestras sinfônicas americanas.
Um em cada 5 adultos americanos compra pelo menos um livro por semana,
ficar em casa com um bom livro está voltando a ser uma das formas
preferidas de lazer dos americanos.
Em
termos relativos, hoje há mais pessoas do que nunca colecionando
arte. O Japão tem 4.000 galerias de arte. Cerca de 6.000 consumidores
passam por dia pela casa leiloeira Pans Drouout. Quatro milhões
de pessoas visitaram o Centro Pompidou no seu primeiro ano de existência.
Na
Grã-Bretanha as artes são uma indústria de 17 bilhões de dólares,
do mesmo tamanho da indústria automobilistica.
A
medida em que as artes se tornam mais importante na sociedade, indivíduos,
empresas e cidades cada vez mais decidem seu destino sob a influencia
de imagens, personalidades e estilo de vida do meio artístico. Vídeo
cassetes, toca fitas em automóveis, aparelhos walkman e toca discos
laser transferem para a mãos do próprio telespectador ou ouvinte
o poder de controlar o quer ver e ouvir. O setor de vídeos culturais
vem mantendo um crescimento de 15 a 20% ao ano. Em 1993 a televisão
a cabo atingirá 50% das famílias. No final da década de 80 o apoio
das empresas aos museus e exposições aumentou substancialmente num
reconhecimento de que as artes podem ajudar as empresas a moldar
sua imagem. O patrocínio das empresas para as artes continuará a
crescer vertiginosamente na próxima década.
A emergência de um socialismo de livre mercado
Os
resultados da transformação do socialismos começarão a aparecer
de forma mais clara durante os anos 90. A última década do século
será palco de um período extraordinário de experimentações para
salvar o socialismo. Destaques para Michail Gorbachev desmantelando
a economia centralizada do maior estado socialista e Margaret Thatcher
desmanchando o welfare estate.
Há
seis razões principais para o fim do socialismo:
A
economia global
Numa
economia global nenhum pais - comunista ou capitalista - pode sustentar
individualmente economias fechadas ou auto-suficientes. Qualquer
pais que tente se manter economicamente fechado e à parte do jogo
global ficará para trás. Para fazer parte de uma economia global,
um pais precisa ser altamente competitivo, algo que um ambiente
protegido não proporciona.
Tecnologia
Inicialmente
as telecomunicações viabilizaram a formação da economia global.
Atualmente essa tecnologia está acelerando o desenvolvimento da
globalização. Os serviços financeiros, o setor mais desenvolvido
da economia global, têm mais a ver com eletrônica do que com finanças
ou outros serviços que estão entre nós há muito tempo.
O
insucesso da centralização
A
inexistência de economias de planejamento centralizado bem sucedidas
foi finalmente reconhecida. Está claro que o modelo descentralizado
empreendedor e dirigido pelo mercado obteve mais sucesso em toda
a parte.
O
alto custo dos esquemas socialistas de "welfare state"
O
custo dos serviços sociais fornecidos centralizadamente pelo governo
colocou quase todos os países em situação difícil e chegou a inviabilizar
muitos deles. A evolução demográfica por tanto tempo ignorada agora
surpreendeu a todos. Por toda parte as pessoas estão reclamando
dos gastos públicos crescentes.
A
mudança da força de trabalho
Houve
um declínio mundial na quantidade e na importância do operariado
que forma a base dos sindicatos e dos partidos socialistas. Foi
com a teoria trabalhista da mais valia que nasceu o socialismo.
A porcentagem da mão-de-obra que incide nos custos de produção dos
bens manufaturados tende a zero. Novas teorias são necessárias.
A
nova importância do indivíduo
A
própria natureza de uma economia da informação desloca o foco do
Estado para o indivíduo. Estamos aprendendo que os computadores
fortalecem o poder dos indivíduos e enfraquecem o poder do Estado,
ao contrário da visão de George Orwell tinha do futuro. À medida
que globalizamos nossas economias, os indivíduos estão se tomando
mais poderosos e importantes do que foram na era industrial.
Neste
final do século 20, a confluência e inter-relação desses seis fenômenos
tem forçado a União Soviética e seus aliados a enfrentarem um dilema
terrível - reinventar o socialismo para o terceiro milênio ou descartá-lo
completamente. Ainda não está claro se o ano 2.000 assistirá ao
desaparecimento do socialismo ou ao desenvolvimento de uma nova
forma híbrida de socialismo com mecanismos de mercado. Atualmente
vive-se um período de transição em que as economia de planejamento
centralizado estão experimentando uma ampla variedade de mecanismos
de mercado: privatizando os meios de produção e distribuição, criando
bolsas de valores, descentralizando, permitindo falências, deixando
o mercado estabelecer preços, desregulamentando.
O
mundo está passando por uma profunda mudança de economias dirigias
por governos para economias dirigidas por mercados.
Estilo de vida global e nacionalismo cultural
Graças
a uma economia mundial vibrante, às telecomunicações globais e ao
aumento do fluxo de viagens internacionais, estamos assistindo a
um intercâmbio num ritmo sem precedentes entre povos, envolvendo
hábitos alimentares, música, moda, com o surgimento de um novo estilo
de vida internacional e universal.
Essa
movimentação é comandada pelo consumo - beber café cappucino e água
mineral Perrier, mobiliar apartamento com IKEA, comer sushi, vestir-se
com a United Colors of Benetton, dirigir um Hyunday até o McDonald's
ao som de rock britânico-americano.
O
mundo está se tornando cada vez mais cosmopolita e estamos todos
nos influenciando uns aos outros. As empresas que vendem produtos
internacionais e encaram o mundo como um mercado único tem oportunidades
excepcionais.
A
televisão global já existe potencialmente nas estações multinacionais
européias de televisão por satélite e o potencial de impacto da
televisão nos países mais populosos do mundo é espantoso. Por exemplo:
Ocobampa, uma pequena vila de 400 habitantes no Peru já dispunha
de aparelhos de televisão movidos a pilha antes de ter água encanada,
serviço regular de correios e até mesmo eletricidade. Na China e
na Índia, países relativamente pobres onde residem 40% da população
do mundo as pessoas estão sendo constantemente bombardeadas com
imagens do Ocidente desenvolvido.
O
fator mais importante na aceleração do desenvolvimento de um estilo
de vida global único é a proliferação da língua inglesa. O inglês
está se tornando a primeira língua verdadeiramente universal do
mundo. Atualmente há cerca de 1 bilhão de pessoas que falam inglês
no mundo. No ano 2.000 esta cifra provavelmente será de mais de
1,5 bilhão.
Mas
ao mesmo tempo em que nossos estilos de vida se tornam mais parecidos
e que o inglês se torna língua universal, há sinais inequívocos
de uma poderosa contratendência, uma reação contra a uniformidade,
um desejo de afirmação da singularidade de cada cultura e cada língua,
o repúdio a influência estrangeira.
Quanto
mais homogêneos se tornarem nossos estilos de vida, com mais firmeza
nos agarraremos a valores mais profundos - religião, língua, arte
e literatura. À medida que nossos mundos exteriores ficarem mais
semelhantes, cada vez mais valorizaremos as tradições que vêm de
dentro.
É
desejável experimentarmos a comida uns dos outros, é divertido vestir
blue jeans ou desfrutar do mesmo tempo de lazer. Mas se esse processo
começar a desgastar a esfera de valores culturais mais profundos,
as pessoas voltarão a dar ênfase às suas diferenças, numa espécie
de reação cultural. A história, a língua e a tradição de cada nação
são únicas. Portanto, de forma paradoxal, quanto mais parecidos
nos tornamos, mais reforçaremos nossa singularidade.
A
integração econômica da Europa em 1992 será acompanhada por uma
explosão de afirmação cultural pelo resto da década de 90. Essa
explosão inflamará e dará força ao renascimento global nas artes,
na literatura, na poesia, na dança e na música.
A privatização do welfare state
O
termo "welfare state" é adequadamente definido como um
governo que gasta dinheiro para ajudar a proteger os cidadãos e
promover o bem estar social.
Em
todo o mundo existe agora um claro redirecionamento de ênfase para
o indivíduo, e não mais para classes ou grupos. No passado pensávamos
que era necessários fazer isto ou aquilo para eles. Agora o foco
está mudando para o indivíduo.
A
grande maioria das pessoas não quer que o governo gaste grandes
quantias em programas que não funcionem. Elas querem que fundos
do governo se somem a fundos privados e sejam especificamente dirigidos
a oportunidades definidas, a situações em que as pessoas já tenham
tomado a iniciativa ou tenham condições de fazê-lo prontamente.
A
mudança básica é a passagem do governo centralizado para a potencialização
do indivíduo:
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Do
esquema de casas cedidas pelo Estado, para pessoas adquirindo
suas próprias casas; |
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Do
serviço nacional de saúde para opções privadas; |
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Da
regulamentação do governo para mecanismos de mercado; |
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Do
"welfare" para o "workfare" em que se investem
recursos públicos para auxiliar os menos favorecidos ajudando-os
a encontrar trabalho, e não simplesmente sustentando-os com
dinheiro do Estado. As estatísticas mostram que um anos após
ter conseguido emprego, 75% das mulheres nesta situação nos
Estados Unidos não voltam a depender do "welfare"; |
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Do
coletivismo para o individualismo; |
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Do
monopólio do governo para o empreendimento competitivo; |
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Das
indústrias estatais para indústrias em que os funcionários são
acionistas; |
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Dos
planos de previdência social do governo para planos de seguro
privado e investimento; |
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De
cargas tributárias para reduções tributárias; |
A
medida que nos aproximamos do próximo século, os governos de todo
o mundo estão reconceituando a responsabilidade da sociedade em
relação a seus cidadãos, especialmente aqueles que verdadeiramente
não podem ajudar a si próprios.
Esse
processo de busca do que substituirá o "welfare state"-
busca do que será o estágio pós-welfare - sem dúvida continuará
pela década que ainda nos resta neste século.
A ascensão da orla do Pacífico
Há
500 anos, centro comercial do mundo começou a migrar do Mediterrâneo
para o Atlântico. Hoje está mudando do Atlântico para o Pacífico.
As cidades da orla do Pacífico - Los Angeles, Sidnei e Tóquio -
estão tomando o lugar das cidades há muito estabelecidas no Atlântico
- Nova York, Paris e Londres.
A
região da orla do Pacífico tem o dobro do tamanho da Europa e dos
Estados Unidos. Hoje a Ásia tem a metade da população do mundo.
No ano 2.000 terá dois terços, enquanto que a Europa apenas 6%.
A Ásia é um mercado de US$ 3 bilhões por semana.
A
orla do Pacífico é uma região que vai da costa ocidental da América
do Sul em direção norte até o estreito de Bering, e da URSS em direção
sul até a Austrália, incluindo todos os países banhados pelas águas
do Pacífico. mas a força propulsora que está por trás da mudança
do Atlântico para o Pacífico é o milagre econômico da Ásia.
Apesar
de o Japão ser o atual líder da região, os países do leste da Ásia
(a China e os Quatro Tigres - Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e
Cingapura) acabarão por dominar.
O
impulso econômico da orla do Pacífico está sendo reforçado por um
comprometimento com a educação. Desde 1985 o número de jovens coreanos
que freqüentam escolas de educação superior era maior que o número
de jovens britânicos nas mesmas condições.
Hoje
a orla do Pacífico está passando pelo período mais rápido de expansão
econômica da história, crescendo a uma taxa cinco vezes superior
à da Revolução Industrial. O próximo milênio encontrará o PNB do
mundo dividido entre quatro quartos, a orla do Pacífico, Europa,
Estados Unidos e o restante do mundo.
As
economias da orla do Pacífico dirigidas para a exportação, estão
crescendo três vezes mais depressa do que grande parte do restante
do mundo. A participação dos Quatros Tigres no total mundial de
exportação de bens manufaturados chegou a 11% em 1988. Sua participação
na exportação mundial de bens eletrônicos de consumo cresceu para
30%. As reservas de moedas estrangeiras dos Quatro Tigres hoje totalizam
US$ 100 bilhões. Os Estados Unidos hoje vendem mais para a Coréia
do Sul do que para a França e mais para Taiwan do que para a Itália
e Suécia juntas.
Coréia
do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong revolucionaram a teoria do
desenvolvimento econômico mostrando ao mundo como saltar uma grande
parte da fase de industrialização e mergulhar diretamente na economia
da informação. Acredita-se que elas continuem crescendo a taxas
anuais que variam entre 7 e 10% contra um crescimento de cerca de
3% dos Estados Unidos.
A
economia da Coréia do Sul é hoje maior do que a da Dinamarca ou
da Áustria. Pelos padrões da ONU, a distribuição de renda da Coréia
está entre as mais justas do mundo. Todos os países do mundo estão
tendo de descobrir como a Coréia do Sul está em condições de ameaçar
a posição do Japão como principal potência industrial do mundo.
Taiwan,
o que essa ilha de 20 milhões de habitantes não tem de reconhecimento
diplomático, compensa em relações econômicas. O PIB per capita é
superior a US$ 6.000 por ano, o comércio exterior atingiu US$ 103
bilhões em 1988, colocando o país como o 12 no mundo em comércio
exterior.
Por
volta do ano 2.000 haverá 11 milhões de novos consumidores na Europa.
Apenas nos países mais ricos do Pacífico, o Japão e os Quatro Tigres,
haverá um número maior - 13 milhões. Mais 68 milhões na Tailândia,
Malásia, Indonésia e as Filipinas. E a China poderá ter mais de
100 milhões de pessoas com disponibilidade de renda.
Os anos 90: A década das mulheres na liderança
As
empresas em sua origem, foram criadas por homens e para homens.
No entanto, desde a Segunda Guerra Mundial, o número de mulheres
que trabalham aumento 200 %
Depois
de duas décadas de preparação silenciosa, depois de ganharem experiência
e sentirem frustração com o predomínio masculino, as mulheres que
trabalham estão à beira de uma mudança revolucionária. Mais velhas,
mais sensatas, mais numerosas e bem representadas em setores de
ponta como computação, finanças e publicidade, as mulheres estão
prontas para romper as barreiras que as impediam de chegar ao topo.
A medida que a década de 90 progredir, o senso comum admitirá que
mulheres e homens atuem igualmente como líderes de trabalho, e as
mulheres alcançarão as posições de liderança que lhes foram negadas
no passado.
O
princípio dominante na organização deixou de ser a gerência com
o objetivo de controlar a empresa e passou a ser a liderança com
o objetivo de extrair das pessoas o que elas têm de melhor e de
reagir rapidamente às mudanças. As tarefas das empresas mudaram
e o mesmo aconteceu com sua força de trabalho. Esta é talvez a principal
razão pela qual o princípio orientador dos negócios mudou da gerência
tradicional para a liderança, abrindo as portas para as mulheres
Com
a economia de informação dominando o mundo desenvolvido, o contexto
de trabalho é totalmente diferente. Se o homem foi o protótipo do
trabalhador industrial, o trabalhador da era da informação é tipicamente
uma mulher. E, neste aspecto, as mulheres dominam a sociedade da
informação (84% das mulheres que trabalham fazem parte do setor
de informação e serviço).
As
mulheres atingiram uma massa crítica nas profissões intelectuais.
Elas já não são uma minoria simbólica. Seus valores e estilos de
administração são mais próximos dos demandados pela era da informação.
As mulheres podem ter saído perdendo na era industrial, mas se estabeleceram
nos setores do futuro. Tanto é que já estão liderando suas próprias
empresas e o número de empresas que estão sendo abertas por mulheres
é o dobro daquelas que estão sendo abertas por homens.
O
executivo como alguém que dá ordens está sendo substituído pelo
executivo como professor, facilitador e mentor. O que dá ordens
tem todas as respostas e diz a todos o que fazer, o facilitador
sabe como obter as respostas de quem de quem melhor as conhece -
as pessoas que estão fazendo o trabalho. O líder facilitador faz
perguntas, dirige o grupo ao consenso, usa informações para demonstrar
a necessidade de ação.
O
desafio básico da liderança na década de 90 é estimular o trabalhador
novo e mais instruído a ser mais empreendedor, autogerenciar-se
e orientar a si mesmo no sentido de aprender durante toda a vida.
Manter as pessoas entusiasmadas é o trabalho do líder.
As
mulheres e a sociedade de informação - que valorizam mais o cérebro
do que os músculos - formam uma parceria perfeita. Onde quer que
a evolução da informação esteja florescendo, as mulheres estão ingressando
na força de trabalho. E onde quer que a revolução da informação
já tenha se difundido, as mulheres constituirão uma parcela substancial
de força e trabalho.
A era da Biologia
A
era da informação será também a era da biologia. O discursos do
dia-a-dia cada vez mais emprega palavras e expressões de biologia.
Hoje
estamos no processo de criar uma sociedade que é um elaborado conjunto
de sistemas de feedback de informações que reproduz a estrutura
básica do organismo biológico. Sem esquecer que estamos no limiar
de uma verdadeira era da biotecnologia que está se tornando um presença
poderosa em nossas vidas.
Em
breve seremos capazes de identificar pessoas com tendências para
doenças específicas e uma nova geração de vacinas já está a caminho.
A manipulação genética de produtos agrícolas e animais está se expandindo
rapidamente. Fertilizantes e substâncias que aumentam a resistência
dos vegetais estão sendo colocados nas sementes. A biotecnologia
pode por fim à fome com uma nova revolução verde. Progressos estão
sendo realizados em técnicas genéticas para acelerar o desenvolvimento
de peixes e gado bovino e aumentar o teor protéico das batatas e
arroz. Espécies ameaçadas de extinção podem ser salvas através de
transplante de embriões em mães de "aluguel".
Defensores
da ecologia, ativistas pelos direitos dos animais, agricultores,
pecuaristas e o clero, entre outros, têm se preocupado com essas
mudanças, porque se por um lado a biotecnologia sugere contribuições
fantásticas para melhoria de vida, por outro também levanta questões
no mínimo assustadoras.
Será
ético alterar a natureza ? As novas espécies que podem ser desenvolvidas
vão prejudicar o meio-ambiente ? Os animais estão sendo mal tratados
nas experiências realizadas ? As indústrias farmacêuticas e agrícolas
estão envolvidas nesse processo apenas pelo dinheiro ? Quais são
as implicações éticas, legais e sociais da biotecnologia ?
A
medida que nos aproximamos do próximo milênio a biotecnologia tenderá
a ser tão importante quanto o computador.
Alguns
avanços na área da biotecnologia dão uma idéia da força desta megatendência:
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Em
Lima, Peru, há um projeto que virá alterar a batata geneticamente
para que esta venha a ter o mesmo valor protéico da carne. Tenta-se,
da mesma forma, melhorar o valor nutritivo de outros vegetais,
como o arroz e a mandioca. |
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A
biotecnologia atenderá a milhões de pessoas em todo o mundo
que se preocupam com o peso, reduzindo significativamente a
gordura de alimentos como carne de porco e adicionando ao gosto
natural da pipoca o sabor de manteiga sem que isso represente
mais calorias. |
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Na
Universidade de Comelli, cientistas estão criando novos tipos
de maçã que não escurecerão quando sua parte interna for exposta
ao ar. Os japoneses desenvolveram um melancia sem sementes. |
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Já
se pode criar embriões clonados (copiados identicamente) de
touros premiados para gestação em gado comum. Os futuros criadores
terão a capacidade de clonar grandes quantidades de bois, porcos
e carneiros a partir e um único embrião, com qualidade uniforme
e alto padrão características essas que eram impossíveis de
serem obtidas anteriormente. |
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No
decorrer da primeira década do novo século, adultos e crianças
passarão rotineiramente por exames para detectar genes que os
tornam suscetíveis a doenças letais como o câncer. Para prevenir
e tratar um grande número de outras doenças, genes defeituosos
serão substituídos por genes perfeitos. |
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Na
primeira década do novo século será possível através da engenharia
genética realizar um vacinação completa contra muitas doenças
com uma única picada no braço. |
Renascimento religioso do terceiro milênio
Com
a proximidade do ano 2.000 há sinais de um redespertar religioso
mundial em todas as frentes. Isto ocorrerá em razão da força magnética
da chegada de um novo milênio.
Por
ocasião da passagem para o segundo milênio os cristãos da "Idade
das Trevas" da Europa acreditavam que o fim do mundo também
estava próximo. A medida que nos aproximamos do ano 2.000 tudo parece
se repetir novamente.
Daí
o surgimento de movimentos envolvendo milhões de pessoas desde os
mediuns da New Age aos carismáticos que falam línguas estranhas
e aos pregadores de TV propensos a se envolver em escândalos.
Quando
as pessoas encontram-se confusas com as mudanças, a necessidade
de crença espiritual se intensifica de duas formas: em movimentos
dirigidos para dentro (do tipo "acreditar no que sente dentro
de si") ou em religiões autoritárias (do tipo "é assim
que as coisas são"). Ambas as formas estão florescendo hoje.
As
pessoas estão se voltando para a religião em busca de paz e bem-estar.
Mas há indícios de que não estão conseguindo encontrar o que procuram
através das igrejas tradicionais. Na América do Norte uma séria
de novas religiões que fogem a estrutura judáico-cristã está formando
raízes.
Os
Fundamentalistas
Com
15 milhões de membros, os fundamentalistas batistas do sul do EUA
são agora o maior grupo de protestantes do país. A força mais visível
dos fundamentalismo é o uso eficaz da mídia, buscando o alto contato
humano. Mesmo quem não gosta da moral e dos métodos dos evangelistas
pela televisão tem que admitir que esses pregadores souberam reconhecer
as oportunidades da era da informação e da alta tecnologia e as
aplicaram em seus campos - ganhando dinheiro ou salvando almas.
O
Movimento New Age
O
movimento New Age é difícil de ser medido ou definido. Mas em todas
as principais cidades americanas e européias, milhares de pessoas
que buscam insigths e crescimento pessoal se agrupam ao redor de
livrarias especializadas em metafísica, professores espirituais
ou centros de estudo. Pesquisadores estimam que eles representam
hoje de 5 a 10% da população. O New Age tem muito a ver com a conscientização
refinada - da unidade da criação, do potencial sem limites da humanidade
e da possibilidade de transformação própria e do mundo de hoje em
algo melhor.
A
recuperação das religiões tradicionais
O
sucesso das igrejas não-ortodoxas que florescem nesta era vem estimulando
as religiões tradicionais à adoção de novas posturas, indo a TV,
criando grupos de oração, estudo bíblico, retiros espirituais, assim
como experimentando missas e cultos alternativos.
A
esperança de volta
O
renascimento religioso marca o fim de um tipo de fé na ciência como
resolvedora de todos os nossos problemas. Essa fé nasceu na Revolução
Industrial quando, ao serem usadas para propósitos benignos a ciência
e a tecnologia dotaram a humanidade de poderes quase divinos.
O
ressurgimento da espiritualidade pode ser visto como um desvio dessa
"religião da tecnologia" e um sinal de grande esperança,
na medida em que começa a surgir o comprometimento de tornar obsoletas
as armas de destruição em massa.
Com
a aproximação do simbólico ano 2.000 a humanidade não está abandonando
a ciência, mas através do renascimento religioso, reafirmando o
espiritual naquilo que é agora uma causa mais equilibrada para melhorar
nossas vidas.
O triunfo do indivíduo
O
triunfo do indivíduo se transformará no grande tema de discussões
no final do século 20. Os indivíduos se tornarão mais poderosos
do que nunca na passagem para o próximo milênio.
É
um indivíduo que cria uma obra de arte, adota uma filosofia, arrisca
todas suas economias em um novo negócio, emigra para um novo país
ou tem uma experiência espiritual extraordinária. É um indivíduo
que muda a si mesmo antes de mudar a sociedade. Os indivíduos hoje
podem provocar mudanças com eficácia muito maior do que a maioria
das instituições.
Os
anos 90 serão caracterizados por um novo respeito pelo indivíduo
como alicerce da sociedade. Ele será a unidade básica da mudança.
O movimento ecológico, o movimento feminista, o movimento anti-nuclear
foram construídos na consciência de cada pessoa por um indivíduo
convencido da possibilidade de uma nova realidade.
O
triunfo do indivíduo sinaliza a morte do coletivo. Até mesmo os
comunistas estão convencidos de que apenas o indivíduo gera riquezas.
Os sindicatos admitem que as pessoas dever ser recompensadas por
seus esforços individuais. É o triunfo da responsabilidade individual
contra o anonimato do coletivo.
O
que não significa que o indivíduo tenha de enfrentar o mundo sozinho.
Realizando individualidades uma pessoa pode construir comunidades
que são livres associações de indivíduos. Nas comunidades também
não há como esconder. Todos sabem quem está contribuindo ou não.
O
papel desempenhado pelos empreendedores individuais na economia
é cada vez mais relevante. Os indivíduos em toda parte sentem-se
investidos de poder e mais livres para determinarem seu próprio
destino político. Atualmente, é difícil alguém disputar uma eleição
com base em partidos, os candidatos concorrem como indivíduos. A
mudança é da política de partidos para a política empreendedora.
NAISBITT,
John ; ABURDENE, Patricia, Megatrends 2000: dez novas tendências de
transformação da sociedade nos anos 90. São Paulo : Amana-Key, 1990.
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