O
problema fundamental das empresas atualmente é o fato de não distinguirem
entre planejar e "estartegizar". Planejar tem que ver com programar,
não com descobrir. Planejar é para tecnocratas, não para sonhadores. Dar
aos planejadores a responsabilidade de criar a estratégia é como pedir
a um pedreiro que crie a Pietà de Michelangelo.
Gary Hamel
Analisando alguns conceitos elaborados por diversos autores em épocas
diferentes pode-se chegar a uma definição de planejamento estratégico
abrangente. Com base nesta será definindo estruturalmente um método de
planejamento estratégico a ser detalhado nos próximos capítulos.
O
que é Planejamento ?
É
preciso que haja planos para que a organização tenha seus objetivos e
para que se estabeleça a melhor maneira de alcança-los. Além disso, os
planos permitem que (1) a organização consiga e aplique os recursos
necessários para a consecução de seus objetivos, (2) os membros
da organização executem atividades compatíveis com os objetivos e os métodos
escolhidos e (3) o progresso feito rumo aos objetivos seja acompanhado
e medido, para que se possam tomar medidas corretivas se o ritmo do progresso
for insatisfatório.
Os
primeiros passos do Planejamento envolvem a seleção de objetivos para
a organização. Depois, estabelecem-se objetivos para as subunidades da
organização - suas divisões, seus departamentos, e assim por diante. Uma
vez determinados os objetivos, estabelecem-se programas para sua consecução
de maneira sistemática. É claro que, na seleção dos objetivos e no estabelecimento
dos programas, o administrador leva em conta sua viabilidade e se eles
poderão ser aceitos pelos administradores e pelos empregados da organização.
Os
planos elaborados pela direção para a organização como um todo podem ser
para prazos que podem ir de cinco a dez anos. Numa grande organização,
como uma empresa multinacional, estes planos podem envolver compromissos
de bilhões de dólares. O Planejamento em níveis mais baixos, pelos administradores
intermediários, ou de primeira linha, abarca prazos muito mais curtos.
Tais planos podem ser para o trabalho do dia seguinte, por exemplo, ou
para uma reunião de duas horas a ser feita dentro de uma semana.
STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall do Brasil, 1985.
O
que é Estratégia ?
Estratégia
é o programa geral para a consecução dos objetivos de uma organização
e, portanto, para o desempenho de sua missão. A palavra "programa"
implica, em nossa definição, um papel ativo, consciente e racional desempenhado
por administradores na formulação da Estratégia da organização. Uma Estratégia
estabelece uma mesma direção para a organização em termos de seus diversos
objetivos e orienta o aproveitamento dos recursos usados para a organização
seguir em direção a estes objetivos.
Também
se pode definir Estratégia como o padrão de resposta da organização ao
seu ambiente no tempo. Estratégia associa os recursos humanos e outros
recursos de uma organização aos desafios e riscos apresentados pelo mundo
exterior.
Toda
a organização tem uma Estratégia não necessariamente boa -, mesmo
que esta nunca tenha sido formulada explicitamente. Quer dizer, toda organização
tem uma relação com seu ambiente, que pode ser estudada e descrita. Esta
visão de Estratégia inclui organizações onde o comportamento dos adminis-tradores
é de reação - de resposta e ajustamento ao ambiente sempre que necessário.
STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall do Brasil, 1985.
O
que é Estratégia Empresarial ?
Estratégia
Empresarial pode ser caracterizada pela conjugação produto/mercado, isto
é, a especificação dos produtos com os quais a empresa pretende atingir
seus objetivos e dos mercados onde ela pretende operar para cooca-los
ou vendê-los.
Também
pode-se entender a Estratégia Empresarial pela escolha dos vetores de
crescimento que indicam qual direção a empresa seguirá, tendo por base
sua conjugação produto/mercado escolhida, ou sua "vantagem competitiva",
ou seja, o perfil de competência da empresa em relação aos seus concorrentes.
Portanto
se Estratégia é a mobilização de todos os recursos da empresa no âmbito
global, visando atingir objetivos a longo prazo, Estratégia Empresarial
é o conjunto dos objetivos, finalidades, metas, diretrizes fundamentais
e os planos para atingir esses objetivos, postulados de forma a definir
em que atividades se encontra a empresa (negócio) que tipo de empresa
ele é ou deseja ser (missão).
MUNHOZ,
Aylza. Seminário sobre Estratégia Empresarial, Porto Alegre, 1993.
O
que é Planejamento Estratégico ?
Planejamento
estratégico é o processo de seleção dos objetivos de uma organização.
É a determinação das políticas e dos programas estratégicos necessários
para se atingir objetivos específicos rumo à consecução das metas: e o
estabelecimento dos métodos necessários para assegurar a execução das
políticas e dos programas estratégicos
Planejamento
estratégico é o processo de planejamento formalizado e de longo alcance
empregado para se definir e atingir os objetivos organizacionais.
STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall do Brasil, 1985.
Planejamento
estratégico é o processo através do qual a empresa se mobiliza para atingir
o sucesso e construir o seu futuro, por meio de um comportamento proativo,
considerando seu ambiente atual e futuro.
| |
processo
- Planejamento é um processo, sendo portanto permanente, vivo, dinâmico,
capaz de incorporar as mudanças do ambiente. Deve durar enquanto a
empresa existir. |
| |
mobiliza
- Este processo aglutina forças e mobiliza a empresa como um todo,
em direção ao sucesso. |
| |
construir
o futuro - Planejar não é prever ou advinhar o futuro, mas sim construí-lo.
A empresa, mais do que o direito, tem o dever de escolher seu futuro
e mobilizar suas forças para construí-lo. |
| |
comportamento
proativo - Para a empresa construir o futuro desejado, não basta reagir.
É fundamental proagir (ato de antecipar, fazer acontecer, em vez de
esperar que aconteça). |
| |
ambiente
- O ambiente é a principal fonte de vida para uma empresa, portanto
o planejamento estratégico deve enfatizar a sintonia entre a empresa
e seu ambiente. |
PAGNONCELLI,
Dernizo; VASCONCELLOS Filho, Paulo. Sucesso empresarial planejado. Rio de
Janeiro : Qualitymark, 1992.
Características
do Planejamento Estratégico
Não
existe uma definição universalmente aceita de Planejamento Estratégico
e muitos autores e administradores não concordariam inteiramente com o
que acabamos de dar. Entretanto, provavelmente haveria mais acordo quanto
a cinco importantes atributos do planejamento estratégico:
- O
planejamento estratégico lida com questões fundamentais ou básicas.
Dá resposta a perguntas como, por exemplo: " Em que ramo estamos
e em que ramo deveríamos estar ?" e "Quem são nossos clientes
e quem deveriam ser eles ? "
- O
planejamento estabelece um quadro de referência para o planejamento
mais detalhado e para as decisões administrativas do dia-a-dia. Diante
destas decisões, o administrador pode indagar: "Qual dos caminhos
possíveis será mais compatível com nossa estratégia ?"
- O
planejamento estratégico envolve um prazo maior que outros tipos de
planejamento
- O
planejamento estratégico dá um sentido de coerência e força aos atos
e decisões da organização no tempo
- O
planejamento estratégico é uma atividade de nível superior no sentido
de que a direção tem que ter uma participação ativa nele. Isto ocorre
porque, em primeiro lugar, só a direção tem acesso às informações necessárias
para se levar em consideração todos os aspectos da organização; e, em
segundo lugar, porque o compromisso da direção é necessário afim de
se conseguir o compromisso dos níveis mais baixos
STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall do Brasil, 1985.
Planejamento
Estratégico e Planejamento Operacional
O
planejamento estratégico não é a única atividade de planejamento de uma
organização; todavia, é a atividade na qual o papel da organização é mais
crítico. O planejamento feito nos níveis mais baixos chama-se planejamento
operacional. Seu enfoque são as atividades do momento e sua principal
preocupação é a eficiência (fazer as coisas corretamente) em vez da eficácia
(fazer as coisas certas).
Os
dois tipos de planejamento se confundem no que se refere ao fato de o
planejamento estratégico orientar a administração operacional e estabelecer
seus limites. Ambos os tipos de planejamento são necessários. A administração
eficaz tem que ter uma estratégia e tem que trabalhar no dia-a-dia para
leva-la a cabo.
| |
Planejamento
Operacional
|
Planejamento
Estratégico
|
|
Enfoque
|
Problemas
operacionais |
Sobrevivência
e desenvolvimento a longo prazo |
|
Objetivo
|
Lucros
atuais |
Lucros
futuros |
|
Restrições
|
Ambiente
de recursos atuais |
Ambiente
de recursos futuros |
|
Recompensas
|
Eficiência,
estabilidade |
Desenvolvimento
do potencial futuro |
|
Informações
|
Ramo
de atividade atual |
Oportunidades
futuras |
|
Organização
|
Burocrático/
estável |
Empresarial/flexível |
|
Liderança
|
Conservadora |
Inspira
mudança radical |
|
Solução
de problemas
|
Reage,
confia na experiência passada |
Prevê,
descobre novas orientações |
| |
Baixo
risco
|
Maior
risco
|
STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall do Brasil, 1985.
Decisão
pela utilização do Planejamento Estratégico
O
sucesso do Planejamento Estratégico depende muito da decisão pela diretoria
a favor de sua utilização e do início do processo.
Para
chegarmos a tal decisão propomos uma palestra e/ou reunião de apoio à
decisão, na qual serão esclarecidas as dúvidas sobre o assunto.
A
decisão sobre o início do processo poderá ser prejudicada com alegações
do tipo:
| |
m
|
"Agora
não é o momento propício; vamos aguardar que o ambiente fique menos
turbulento ou que acabe a recessão." |
| |
m
|
"Agora
não podemos planejar porque estamos arrumando a casa, esperando um
novo diretor, revendo a estrutura, etc." |
Isto
é, sempre vai haver alguma pendência ou dificuldade. Não deixe que estas
"desculpas" impeçam sua empresa de alcançar o sucesso.
Recomendamos
ainda, que a decisão seja divulgada para toda a empresa esclarecendo o
trabalho a ser realizado, evitando-se assim o surgimento de boatos.
A
Petrobrás Distribuidora S.A., em 1989, após a decisão de utilizar o processo
de Planejamento Estratégico, optou por divulga-la "ao vivo",
via TV Executiva da Embratel, para todos os funcionários, através de palestra
seguida de debate com a diretoria.
Outras
maneiras utilizadas para divulgar a decisão de utilizar o Planejamento
Estratégico são:
| |
m
|
Publicar
no jornal interno ou na revista da empresa, entrevista do principal
executivo comentando a decisão. |
| |
m
|
Encaminhar
carta do principal executivo a cada funcionário da empresa. |
| |
m
|
Reuniões
informativas. |
| |
m
|
Comunicado
interno. |
| |
m
|
Correio
eletrônico. |
| |
m
|
Quadro
de avisos. |
Organização
do processo
A
organização do processo envolve decidir:
| |
m
|
Quem participa e com que atribuições
?
|
| |
m
|
Com qual roteiro o Plano Estratégico será
formulado ?
|
| |
m
|
Para qual horizonte o Plano Estratégico
será formulado?
|
| |
m
|
Que glossário utilizar para formular o Plano
Estratégico ?
|
| |
m
|
Qual o cronograma para formular o Plano
Estratégico ?
|
Vamos
responder, uma a uma, a estas questões.
Quem
participa e com que atribuições ?
Destacamos
enfaticamente que não há necessidade de seu criar uma estrutura adicional
para o processo; nosso lema é: "Planeja quem executa". No quadro
abaixo apresentamos quem deve participar e com que atribuições.
"Quem
é Quem" no processo de Planejamento Estratégico
|
Agentes
|
Composição
|
Atribuições
|
|
Conselho
|
|
Aprova
o Plano Estratégico |
|
Diretoria
|
|
Decide
pela utilização do Planejamento Estratégico.
Decide sobre a composição do G.P.E.
Escolhe o coordenador do processo.
Participa na formulação do Plano Estratégico.
Aprova o Plano Estratégico, os Planos de Ação e os Projetos Estratégicos.
Participa da implantação do Plano Estratégico, dos Planos de Ação
e dos Projetos Estratégicos. |
|
G.P.E.
(Grupo
de Planejamento Estratégico)
|
Diretoria
e o nível gerencial (da estrutura formal e formadores de opinião).
O número ideal de participantes é 15. |
Formula
o Plano Estratégico.
Atualiza o Plano Estratégico. |
|
Guardião
do Processo
|
Principal
executivo ou um dos diretores. |
Preserva
e promove o processo. |
|
Coordenador
do processo
|
Deve
ser um componente do G.P.E. escolhido pela Diretoria |
Organiza
as informações.
Organiza e convoca as reuniões do G.P.E.
Atua como interface entre empresa e consultores.
Organiza e convoca reuniões de acompanhamento. |
|
Padrinho
de Princípio
|
Diretores |
Preserva
e promove um Princípio. |
|
Coordenador
de Objetivo
|
Diretores |
Coordena
a implantação e o acompanhamento de um Objetivo. |
|
G.A.
(Grupo de Ação)
|
Indicado
pelo Coordenador do Objetivo |
Formula
e implanta o Plano de Ação do Objetivo. |
|
F.T.
(Força Tarefa)
|
Indicado
pelo G.P.E. |
Formula
e implanta um Projeto Estratégico. |
|
Estrutura
|
Todos
os funcionários da empresa que não participam do G.P.E. |
Participa
indiretamente da formulação do Plano Estratégico. |
|
Consultores
|
|
Orientam
o processo.
Atuam como mediadores e facilitadores coordenando as reuniões
do G.P.E.
Transferem tecnologia de Planejamento Estratégico para a empresa. |
Como
você pode verificar no quadro "Quem é Quem", não há necessidade
de "aumentar a folha" para utilizar o Planejamento Estratégico.
Outra
dica importante: Planeje de forma participativa !
m
O processo começa de forma participativa quando a decisão da diretoria
pela utilização do Planejamento Estratégico for divulgada na empresa.
m O
G.P.E. (Grupo de Planejamento Estratégico), que representa todos os funcionários
na formulação do Plano, deve ter o cuidado de "ouvir as base"
antes das reuniões de formulação, e de dar "feed-back" às bases
após as reuniões.
|
Observação
Importante
O
processo deve ser participativo na formulação, não na decisão.
Participar não é decidir
Participar é ser ouvido, questionar, opinar e acatar as decisões
de quem de direito.
|
Mas
estarão as empresas realmente utilizando o processo participativo para
planejar? Vejamos alguns exemplos:
O
sucesso da filial brasileira da empresa química Monsanto pode ser explicado
também pelo seu estilo de administração participativa com base em "exercícios
de Planejamento Estratégico, trabalhando por objetivos comuns" conforme
destaca a reportagem da revista Exame de 19.02.92.
A
Hoechst do Brasil, que se tornou conhecida através da Ciranda da Ciência
, também utiliza o processo participativo em seu planejamento. Para isso
foi criada a Ciranda de Idéias, envolvendo os 4.800 funcionários. Segundo
informações de Cláudio Sonder, presidente da empresa, à revista Exame
(01/04/92), a Ciranda de Idéias já rendeu à Hoechst um ganho de 10% de
produtividade.
Reportagem
da mesma revista, em 12/06/91, comprova que na Heublein, fabricante de
bebidas, "o Planejamento Estratégico da companhia era feito por quatro
cabeças - a do presidente e dos três vice-presidentes. Neste ano, a Heublein
resolveu dar voz aos seus quarenta gerentes. Tínhamos uma represa de idéias
que queria ser aberta. Até então, os executivos apenas tomavam conhecimento
do Plano Estratégico. Agora eles são os autores.
O
Banco Nacional também adota um processo participativo no seu Planejamento
Estratégico. Arnoldo de Oliveira, presidente do Banco, segundo a revista
Bolsa de abril de 1991, durante o mês de março conversou com 700 funcionários
do Nacional para discutir os Objetivos e Estratégias do banco. E, segundo
Fátima Dias, a executiva de marketing, são realizadas reuniões com o nome
de "Banho de objetivos" envolvendo 200 dos principais executivos
do Banco Nacional.
A
conclusão a que podemos chegar, a partir dos exemplos citados e de nossa
experiência, é que:
|
Participação gera compromisso
|
Com
qual roteiro o Plano Estratégico será formulado?
Nossa
experiência mostra que não existe um caminho único para formular um Plano
Estratégico. Tentativas de utilização de "pacotes" têm se mostrado
frustrantes.
A
formulação do Plano Estratégico deve ser um processo sob medida que considere
aspectos da empresa, tais como história, cultura, clima, experiências
em planejamento, expectativas, personalidade e estilo dos dirigentes,
dentre outros.
Contudo,
é necessário seguir um roteiro que consideraremos o básico, e que, funcionando
como guia, permite uma abordagem "sob medida", levando em conta
os aspectos acima mencionados.
O
quadro a seguir apresenta de forma esquemática a metodologia básica (roteiro)
para se formular o Plano Estratégico. Podemos dividi-la em dois conjuntos:
O
primeiro, que inclui a definição do Negócio, a explicitação da Missão
e dos Princípios, é a parte mais permanente por ser a menos sujeita às
mudanças do ambiente. O segundo, que inclui a Análise do Ambiente, a definição
dos Objetivos e a formulação das Estratégias, está mais sujeito a atualizações
para acompanhar e se antecipar às alterações do ambiente e da empresa.
Metodologia
básica para formular o Plano Estratégico

Qual
o horizonte do Plano Estratégico a ser formulado?
Esta
deve ser uma decisão do G.P.E., durante a reunião preparatória. Depende
do setor de atividades da empresa. Por exemplo, na LOCALIZA o Plano Estratégico
foi formulado para o horizonte 1990/1994, enquanto na ELETROPAULO foi
para 1989/2013. Em média as empresas utilizam 5 anos como horizonte para
formular o Plano Estratégico.
Que
glossário utilizar para formular o Plano Estratégico?
Para
evitar que sua empresa se torne uma "Torre de Babel", onde cada
um tem seus conceitos sobre Planejamento, em função da experiência, formação
e leituras, é essencial que se estabeleça um Glossário único com os termos
técnicos utilizados em Planejamento Estratégico.
Este
glossário será muito útil para tornar homogêneo o significado do planejamento,
facilitando e muito os debates durante as reuniões de Planejamento.
No
quadro a seguir sugerimos o Glossário de Planejamento Estratégico, onde
são incluídos conceitos referentes a Negócio, Missão, Princípios, Análise
do Ambiente, Objetivos, Estratégias e Diretrizes. O Glossário deve registrar
também o horizonte do Plano Estratégico.
|
Etapas
do Plano Estratégico
|
Conceito
|
|
Negócio
|
Âmbito
de atuação da empresa
|
|
Missão
|
Papel
desempenhado pela empresa no seu Negócio.
|
|
Princípios
|
Balizamentos
para o processo decisório e o comportamento da empresa no cumprimento
de sua Missão.
|
|
Análise
do Ambiente
|
Processo
de identificação das Oportunidades, Ameaças, Forças e Fraquezas
que afetam a empresa no cumprimento de sua Missão.
|
|
Oportunidades
Situações externas, atuais ou futuras que, se adequadamente
aproveitadas pela empresa, podem influencia-la positivamente.
|
|
Ameaças
Situações externas, atuais ou futuras que, se não eliminadas,
minimizadas ou evitadas pela empresa, podem afeta-la negativamente.
|
|
Forças
Características da empresa, tangíveis ou não, que podem
influenciar positivamente seu desempenho.
|
|
Fraquezas
Características da empresa, tangíveis ou não, que influenciam
negativamente seu desempenho.
|
|
Objetivos
|
Resultados
quantitativos e/ou qualitativos que a empresa precisa alcançar,
em prazo determinado, no contexto do seu ambiente, para cumprir
sua Missão.
|
|
Estratégias
|
O
que a empresa decide fazer, considerando o ambiente, para atingir
os Objetivos, respeitando os Princípios, visando cumprir a Missão
no Negócio.
|
Qual
o cronograma para formular o Plano Estratégico?
Para
assegurar a presença dos que participam da formulação do Plano Estratégico
é importante estabelecer e divulgar um cronograma. Sugerimos:
|
Cronograma
das reuniões do G.P.E. para formulação do Plano Estratégico
1a.
Reunião: __/__/__ Orientação técnica: conceito e exemplos.
Nivelamento de informações sobre empresa e seu mercado.
Etapas: Negócio e Missão.
2a. Reunião: __/__/__ Etapas: Princípios e Análise do Ambiente.
3a. Reunião: __/__/__ Etapas: Análise do Ambiente e Objetivos.
4a. Reunião: __/__/__ Etapa: Estratégias.
5a. Reunião: __/__/__ Consolidação do Plano Estratégico.
|
|
Pauta
para Reunião Preparatória com o G.P.E.
- Objetivos
da reunião.
- Palestra
e debate para uniformizar conceitos sobre Planejamento Estratégico.
- Divulgação
do cronograma das principais fases do processo para utilização
do Planejamento Estratégico.
- Divulgação
do "Quem é Quem" no processo.
- Decisão
sobre o horizonte do Plano Estratégico.
- Divulgação
da Metodologia e do Glossário a serem utilizados no Plano Estratégico
da empresa.
- Decisão
sobre Informações relevantes: (vide "Perfil Estratégico da
Empresa").
- Divulgação
das Regras de Funcionamento das reuniões do G.P.E. ( a seguir)
- Divulgação
da formação de Grupos de Trabalho para as reuniões do G.P.E.
- Recomendação
de leitura preparatória sobre Planejamento Estratégico.
- Recomendações
para se "ouvir as bases", pesquisando informações e
sugestões sobre as etapas da metodologia (roteiro) antes das reuniões
do G.P.E. e sobre a importância do "feedback" após as
reuniões.
- Confirmação
de datas, horários e local para as reuniões do G.P.E.
|
|
Datas
|
Cronograma
das principais etapas do processo de utilização do Plano Estratégico
|
|
__/__/__
|
Decisão
da diretoria pela utilização do Plano Estratégico.
|
|
__/__/__
|
Organização
do processo
|
|
__/__/__
|
Levantamento
das informações
|
|
__/__/__
|
Formulação
do Plano Estratégico
|
|
__/__/__
|
Aprovação
do Plano
|
|
__/__/__
|
Implantação
do Plano
|
|
Regras para o bom funcionamento das
reuniões do G.P.E.
|
Disciplina
A
participação de todos é importante desde que de forma
organizada.
O uso da palavra deve ser solicitado ao coordenador.
Para o perfeito entendimento e máximo proveito das idéias
propostas, cada participante deve falar sem interrupções.
Não "atropele". Aguarde sua vez para participar.
A disciplina é fundamental. Devemos evitar conversas
paralelas e fazer uma "Assembléia única".
A pontualidade é fundamental.
|
Decisões
As
decisões serão tomadas obedecendo-se à seguinte ordem:
1. Consenso - concordância no essencial.
2. Acordo - as partes cedem com o objetivo de atingir
um ponto em comum.
3. Votação - após a tentativa do acordo serão identificadas
as propostas e apresentados os argumentos.
Obs.:
Haverá segundo turno somente nos casos de empate. A
posição hierárquica não deverá influenciar as discussões
plenárias, trabalhos em grupo ou votações.
|
|
Grupos
Os
grupos devem ter:
· Coordenador
· Redator
· Expositor
· Controlador de tempo
Os
trabalhos dos grupos serão apresentados em xerox nas
plenárias, para todos os participantes do G.P.E.
|
Recomendações
"Na
busca do ótimo podemos ficar sem o bom."
|
|
Levantamento
das informações preliminares
Com
as fases anteriores, a empresa passa a ter:
| |
m
|
a
decisão para utilizar o Planejamento Estratégico. |
| |
m
|
as
participações no processo de planejamento com suas atribuições definidas. |
| |
m
|
o
cronograma das principais fases. |
| |
m
|
a
metodologia (roteiro) para formular o Plano Estratégico. |
| |
m
|
o
glossário para permitir uma linguagem uniforme. |
| |
m
|
o
horizonte para formular o Plano Estratégico. |
Outro
componente importante para construir o futuro são as informações.
Inicialmente
precisamos nivelar, entre os participantes do G.P.E. (Grupo de Planejamento
Estratégico), as informações sobre a empresa e seu mercado.
Cabe
ao "Coordenador do processo"(vide Quadro "Quem é Quem")
consultar as várias áreas da empresa, de preferência através dos participantes
do G.P.E.
Para
facilitar esta pesquisa sugerimos a utilização do "Perfil Estratégico
da Empresa", apresentado no próximo quadro. As informações sobre
economia, política, tecnologia e outros temas relevantes serão identificadas
na etapa "Análise do Ambiente", que comentaremos posteriormente.
Perfil
estratégico da Empresa
1.
Razão social
2. "Nome de Guerra"
3. Data da constituição
4. Início da operação
5. Origem
6. Composição acionária (nome e %)
7. Diretoria (nome, "nome de guerra", cargo, formação e tempo
de casa)
8. Principais traços da cultura
8.1. A cultura valoriza: por exemplo, pontualidade
8.2. A cultura recrimina: por exemplo, politicagem
8.3. Estilo gerencial predominante
8.4. Processo decisório
8.5. Delegação
9. Número de funcionários
10. Localização da sede, das unidades e das fábricas
11. Capacidade instalada: histórico (5 anos) e a atual
12. Capacidade utilizada: histórico (5 anos) e a atual
13. Produção (unidades, toneladas, etc.), histórico (5 anos) e previsão
para o exercício atual.
14. Faturamento (anual em US) histórico (5 anos) e previsão para o exercício
anual.
15. Produtos/Serviços
15.1. Principais produtos ou serviços
15.2. Estágio dos principais produtos/serviços no "ciclo
de vida" (lançamento, crescimento, maturidade ou declínio)
15.3. Freqüência do lançamento de novos produtos/serviços
15.4. Percentagem do faturamento por produto
15.5. Serviços agregados aos produtos
16. Preço
16.1. Relativo aos concorrentes
16.2. Interferência do governo ou do setor
17. Propaganda
17.1. Agência
17.2. Estilo
17.3. Valor aplicado (% do faturamento) histórico (5
anos) e previsão para o exercício atual
17.4. Mídia principal (percentual por mídia)
18. Distribuição
18.1. Principais distribuidores (número, localização,
âmbito geográfico de atuação)
18.2. Relacionamento com distribuidores
18.3. Serviços adicionados pelos distribuidores
19. Embalagem
19.1. Características principais
19.2. Funções estratégicas
20. Imagem
20.1. Imagem institucional
20.2. Imagem de produtos/serviços
20.3. Imagem em cada mercado/segmento
21. Clientes
21.1. Principais segmentos-alvo
21.2. Principais mercados
21.3. Proporção do faturamento por segmentos, mercados
e clientes
22. Concorrência
22.1. Principais concorrentes
22.2. Posição no "ranking", histórico (5
anos) e a atual (citar fonte e critério)
22.3. Relacionamento com concorrentes
22.4. Principais diferenciais competitivos
22.5. Participação de mercado (geral e por produto)
histórico (5 anos) e previsão para o exercício atual
23. Situação financeira
23.1. Endividamento a curto prazo (exigível/disponível)
23.2. Endividamento a longo prazo
23.3. Capacidade de investimento a curto e longo prazos
24. Tecnologia
24.1. Origem
24.2. Acesso
24.3. "Status quo"
24.4. Custo
24.5. Investimento em P&D (% do faturamento), histórico
(5 anos) e previsão para o exercício atual
25. Qualidade
25.1. Indicadores
25.2. Níveis de qualidade, histórico (5 anos) e previsão
para o exercício atual
25.3. Nível de qualidade em relação aos concorrentes
26. Rentabilidade, histórico (5 anos) e previsão para o exercício atual
26.1. Receita Total ou Receita Operacional
Patrimônio Líquido Patrimônio
Líquido
26.2. Lucro Líquido
Patrimônio Líquido
27. Produtividade geral, histórico (5 anos) e previsão para o exercício
atual.
28. Orçamento
28.1. Horizonte
28.2. Utilização
28.3. Soft utilizado
29. Relacionamento/dependência com:
29.1. Governo
29.2. Comunidade
29.3. Fornecedores
29.4. Sindicatos
30. Diálogo com funcionários
30.1. Existe sistema de sugestão?
30.2. Que sugestões foram implantadas? Citar exemplos
30.3. Houve premiação? Citar alguns exemplos
30.4. Existe outro sistema de diálogo interno? Quais?
31. Outras informações consideradas relevantes.
Formulação
do Plano Estratégico
Agora
que temos a decisão da diretoria, os participantes do processo já indicados
e cientes de suas atribuições, a metodologia (roteiro), o glossário e
as informações preliminares sobre a empresa e o mercado, é possível formular
o Plano Estratégico.
As
perguntas mais freqüentes são:
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Onde
se reunir para formular o Plano Estratégico? |
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Quanto
tempo será preciso? |
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m
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Que
apoio logístico será necessário? |
Onde
se reunir para formular o Plano Estratégico?
A
experiência nos ensinou que o melhor local é fora da empresa.
Os
benefícios, que superam os custos da locação de uma sala de reuniões em
hotel ou em centro de convenções, são os seguintes:
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m
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Os
participantes se desligam da rotina. O dia-a-dia não interfere nas
reuniões e vice-versa. |
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m
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A
concentração é maior, permitindo mais criatividade. |
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A
integração é maior. |
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m
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Estando
fora, é possível ter uma visão externa da empresa, fundamental para
o processo. |
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O
"evento" ganha maior importância, gerando maior dedicação
dos participantes. |
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m
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As
informações e decisões estratégicas geradas nas reuniões não vazam
antes do tempo, evitando boatos e ansiedade na empresa. |
Quanto
tempo será preciso?
O
número de reuniões do G.P.E. (Grupo de Planejamento Estratégico) necessário
para formular o Plano Estratégico depende de vários fatores:
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número
de participantes |
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objetividade
e disciplina |
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experiência
dos participantes em trabalhos em grupo |
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horário
e local das reuniões |
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apoio
logístico para as reuniões |
A
média de reuniões tem sido 5, equilibrando a qualidade e a agenda dos
participantes.
Que
apoio logístico será necessário?
A
produtividade das reuniões do G.P.E. aumenta quando, com antecedência,
é providenciado o seguinte apoio logístico:
-
Sala
para reuniões plenárias, com refrigeração e iluminação adequadas.
Nela deverá haver uma mesa em forma de "U", com a abertura
do "U" voltada para o oposto à porta. Mesa da coordenação
da reunião, colocada na abertura do "U". Retroprojetor para
transparências. Se não houver uma parede livre para a projeção, deverá
ser colocada uma tela atrás da mesa de coordenação.
-
Quadro
branco de fórmica com canetas específicas, novas. Obs.: esse quadro
é fundamental e não é substituível pelo flip-chart, também necessário.
-
3
salas para trabalhos de grupo (se o G.P.E. for de 15 pessoas), com
flip-chart e "pincéis atômicos".
-
Sala
de apoio com:
m Telefone
m Secretária
m Dicionário Aurélio e dicionário de
termos técnicos do setor no qual a empresa atua
m Micro e impressora para edição de
textos
m Digitadora
m Xerox
m Fax
-
"Pasta
do Plano Estratégico" para cada participante do G.P.E., contendo:
m Bloco de rascunho, lápis, caneta,
borracha
m O "Perfil Estratégico da Empresa"
m Balanço dos últimos 3 anos
m Informações sobre o local da reunião
e a logística disponível
m "Display"
de mesa com nome de guerra do participante, em letras maiúsculas
m Programação da reunião
-
Devem
ser programados intervalos para "coffe-break" no meio da
manhã e da tarde. O almoço, no intervalo de 1 hora, deve ser "self-service"
para otimizar o tempo e evitar dispersão.
Logo após a "Reunião Preparatória com o G.P.E.", os participantes
devem receber do "coordenador do processo", uma comunicação
escrita, informando:
m Datas das reuniões do G.P.E. para
a formulação do Plano Estratégico
m Que é necessário colher, antes de
cada reunião, informações e sugestões das respectivas "bases",
sobre os assuntos já programados. Ex.: Negócio, Missão, etc
m Que é importante a leitura e reflexão
preparatória (e não de última hora) do material conceitual de referência.
Por coerência, recomendamos que a referência seja este livro, podendo
ela ser complementada conforme o interesse de cada participante
m Que este livro deve ser levado para
as reuniões do G.P.E.
m Local e horário das reuniões
m A programação das reuniões: assuntos
e intervalos
m Esquema de transporte, quando o local
for fora da cidade da empresa.
Estas
providências, que a princípio podem parecer exageradas, são vitais para
o sucesso das reuniões do G.P.E. onde, não devemos esquecer, o futuro
da empresa será decidido.
As
fases "Aprovação do plano" e "Implantação" serão detalhadas
proximamente.
A
partir de agora detalharemos as etapas da metodologia básica (roteiro)
para formular o Plano Estratégico (Negócio, Missão, Princípios, etc.),
abordando os seguintes aspectos:
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Conceito
- Relembraremos o entendimento prático do conceito já citado no Glossário
de Planejamento sugerido neste capítulo. |
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m
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Fundamento
- Apresentaremos opiniões de empresários, executivos, consultores
e professores para fundamentar a importância da etapa. |
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m
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Orientação
- Faremos recomendações (dicas) para organizar e facilitar a utilização
do conceito. |
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m
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Exemplos
- Apresentaremos exemplos reais, visando facilitar o entendimento
prático do conceito. Decidimos apresentar muitos exemplos para permitir
que você identifique empresas semelhantes à sua. |
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m
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Utilização
- Procuraremos motiva-lo para uma reflexão visando à aplicação imediata
da etapa à realidade de sua empresa. |
PAGNONCELLI, Dernizo; VASCONCELLOS Filho, Paulo. Sucesso
empresarial planejado. Rio de Janeiro : Qualitymark, 1992.
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