As
décadas de 60 e 70 podem ser consideradas como a "idade de
ouro da estratégia empresarial". A proliferação de conceitos,
de escolas de administração, de empresas de consultoria estratégica
e de staffs de planejamento, refletia a então crescente aceitação
da teoria do planejamento estratégico.
Métodos
modernos de Planejamento Estratégico
Durante
os últimos anos, o planejamento estratégico surgiu como a principal
ferramenta da alta direção, para conceber um futuro desejável a
uma empresa e orquestrar os meios adequados para chegar até ele.
Contudo, o significado e o conteúdo concretos do termo mudaram substancialmente
ao longo do tempo. Em meados dos anos 70, por exemplo, o planejamento
estratégico em uma empresa diversificada costumava consistir na
atribuição de objetivos de participação de mercado a cada unidade
de negócio em função de suas expectativas de crescimento e de posição
relativa dos custos.
Em
qualquer circunstância, é importante distinguir entre o conteúdo
substantivo do processo de planejamento estratégico e os sistemas
formais a que uma empresa pode recorrer para estimulá-lo e canalizá-lo
através da organização. A essência do processo não é outra senão
a formulação de uma estratégia, entendida aqui como o "conjunto
de decisões em uma empresa que: 1) determina, configura e revela
suas metas, propósitos ou objetivos; 2) gera as principais políticas
e planos para alcançar tais objetivos; 3) define o negócio no qual
a empresa quer operar; e a natureza das contribuições econômicas
e não econômicas que pretende fazer a seus acionistas, empregados,
clientes e comunidades sociais".
É
possível estabelecer uma estratégia sem um suporte formal?
A
concepção de uma estratégia em tais termos, embora seja sempre um
trabalho complexo, não requer necessariamente o apoio de um aparato
formal. Muitos empresários, pequenos e grandes, conseguiram idealizá-la
perfeitamente clara, sem jamais chegarem a articulá-la de forma
explícita. É inegável que a formulação de uma estratégia competitiva
não exige sua concretização por escrito em uma série de formulários
ou documentos. Uma empresa pode manejar seus diferentes negócios
da maneira que prescreve a carteira de produtos, sem ter que recorrer
à apresentação gráfica que as matrizes crescimento/participação
proporcionam. Do mesmo modo, os cálculos de crescimento sustentável
e risco/rentabilidade de estrutura financeira podem efetuar-se mediante
procedimentos de grande simplicidade.
Vantagens
da formalização
Todavia,
também é certo que, à medida que cresce a organização, as vantagens
conseguidas na formalização desses processos vão se tornando mais
evidentes e poderosas. Um sistema de planejamento estratégico não
é mais do que a introdução de um procedimento (leia-se a atribuição
específica de responsabilidades, calendário, impressos, etc.) na
tarefa de formular os objetivos que determinam o rumo de uma empresa.
Nesse sentido, cumpre uma função paralela àquela desempenhada por
um sistema orçamentário, com relação às decisões operativas que
devem ser tomadas anualmente em qualquer organização de certo tamanho.
Aqui
vamos examinar uma variedade de enfoques que foram propostos ao
longo das últimas décadas para desenhar um sistema formal de planejamento
estratégico. A apresentação dos mesmos terá um caráter cronológico,
isto é, serão expostos na seqüência histórica em que se desenvolveram
e alcançaram sua maior divulgação. A razão de agir dessa maneira
é que poucas ferramentas de gestão apresentam uma vinculação tão
estreita com os variados problemas enfrentados pelas empresas ao
longo dos últimos vinte anos. De fato, é natural que seja assim,
levando-se em consideração as funções explicitamente atribuídas
aos sistemas: a gestação, o desenvolvimento e a coordenação dos
grandes objetivos da empresa.
Desenho
do sistema
A
ênfase que a direção da empresa quiser dar a cada uma destas funções
determinará o desenho mais apropriado para cada circunstância concreta.
O paralelismo com um sistema orçamentário volta a ser pertinente.
O processo de formulação de um orçamento pode ser aproveitado para:
a) fixar um conjunto de objetivos ambiciosos que estimulem as aspirações
dos membros da organização; b) coordenar as relações entre os departamentos
de forma harmônica; ou c) estabelecer um padrão (standard) negociado
que permita uma avaliação posterior da gestão. O desenho apropriado
do sistema dependerá de qual destas funções se perceba como mais
importante para a organização, porque há compromissos que devem
ser enfrentados de forma explícita. A utilização do orçamento como
um desafio implica o estabelecimento de objetivos dificilmente alcançáveis.
Mas estes objetivos não são mais adequados para coordenar atividades,
onde o realismo deve estar acima de qualquer outro tipo de consideração.
Da mesma maneira, objetivos capazes de funcionar como padrão de
avaliação exigem outro tipo de características, como a capacidade
de ajuste em função de mudanças incontroláveis no ambiente.
De
forma semelhante, um sistema de planejamento estratégico deve ser
desenhado levando em alta consideração o propósito principal da
sua implantação. Um sistema para estimular a criatividade de uma
organização, que parece ter perdido seu ímpeto inovador, deve ser
substancialmente diferente de outro, que busque introduzir maior
ordem e rigor no processo de alocação de recursos. Este dilema,
entre o estímulo à criatividade e a necessidade de maior coordenação,
está presente na discussão dos sistemas alternativos de planejamento
estratégico.
Os
sistemas de Planejamento Estratégico nos anos 60
A
década de 60 teve algumas características econômicas e sociais muito
definidas, que é preciso evocar para uma melhor compreensão do tipo
de técnicas aqui consideradas. Foram anos de forte crescimento econômico
para a maioria dos países do mundo ocidental, crescimento nem sempre
suficientemente ordenado, tanto a nível nacional como dentro das
próprias empresas que eram a fonte primária da renda econômica gerada.
A alta variedade de sistemas de planejamento que se implantaram
naquela época compreendia dois tipos básicos de intencionalidade.
Um primeiro grupo tinha como propósito central estimular a organização
para que alcançasse todo o seu potencial de crescimento; a hipótese
implícita por trás desses enfoques é que as empresas tendem a desenvolver
impedimentos que inibem o emprego ótimo de suas capacidades. Por
isso a denominação de sistemas de planejamento do desenvolvimento
para qualificar o tipo de procedimento que, sob uma ou outra modalidade,
seguiam esta orientação.
A
outra grande família de sistemas buscava não tanto o estímulo ao
crescimento mas principalmente a introdução de uma certa disciplina
na gestação das propostas destinadas a gerá-lo. A preocupação dominante
nesse caso era a concretização dos procedimentos e sua engrenagem
dentro da estrutura da organização. Para este tipo de enfoque doravante
se utilizará a expressão sistemas formalizados de planejamento.
Antes
de começar a descrever o conteúdo técnico desses enfoques alternativos,
vamos ampliar o contexto histórico ao qual já nos referimos. Os
sistemas de planejamento do desenvolvimento alcançaram sua maior
difusão na primeira metade dos anos 60, período em que o objetivo
do crescimento econômico (a nível nacional) não só aparecia como
inquestionável, mas também como claramente factível, graças aos
conhecimentos fornecidos pela moderna ciência econômica. A segunda
metade da década de 60, contudo, é um período de natureza diferente.
O crescimento econômico ainda está presente, mas algumas das suas
seqüelas agora são questionadas. Não é apenas inquietação ideológica,
posta em evidência no maio francês de 1968. É também a impotência
para manejar eficazmente um conflito bélico como a guerra do Vietnã.
Sem dúvida, o crescimento deve ser canalizado. Não é totalmente
casual que a mesma pessoa, Robert McNamara, a quem se deve maior
crédito pelo desenvolvimento de sistemas formalizados de planejamento
no campo da empresa privada, seja também chamada a coordenar o esforço
militar no Sudeste asiático como secretário da Defesa dos EUA.
A
brecha do planejamento
Os
sistemas de planejamento do desenvolvimento podem ser exemplificados
com os métodos associados normalmente ao grupo de planejamento a
longo prazo, que se iniciou em 1958 dentro do Stanford Research
Institute. O gráfico Sistemas de planejamento para realizar um potencial
de negócio apresenta de forma visual um dos elementos centrais deste
enfoque: a denominação brecha do planejamento (planning gap). Como
indicamos antes, o desenho do sistema pressupõe que a empresa, no
curso normal de suas atividades, tende a alcançar resultados inferiores
aos que pretendia conseguir, levando em consideração sua posição
competitiva e os recursos de que dispõe. A distância, entre a situação
em que deveria encontrar-se a empresa (em função de seu potencial
de realização) e a que se espera que ocupe seguindo as tendências
atuais, cria uma brecha que é possível situar dentro do horizonte
de planejamento. (O período de cinco anos que aparece no gráfico
era bastante freqüente na época à qual se refere.)
Sistema
de planejamento para realizar um potencial de negócio

O
sistema de planejamento, neste caso, orienta-se no sentido de especificar
a brecha e buscar a maneira de fechá-la através das ações apropriadas
de negócio. O procedimento a seguir pode ser mais ou menos participativo,
ou seja, pode ter uma orientação de cima para baixo (maior peso
das diretrizes e dos objetivos da alta direção) ou de baixo para
cima (maior iniciativa outorgada aos níveis inferiores da organização).
Em qualquer caso, o processo costuma caracterizar-se pela solicitação
de idéias de negócio a diferentes níveis da empresa, seguindo um
procedimento estandartizado. É freqüente, por exemplo, solicitar
que as propostas se reflitam em um impresso padronizado, tanto em
forma qualitativa como quantitativa. Tais impressos podem depois
ser revisados por um comitê de alta direção e aglutinados em grupos
homogêneos para uma análise conjunta. É habitual que esse comitê
conte com um grupo de apoio para o estudo do custo/lucro das propostas,
de suas possíveis inter-relações e de suas implicações financeiras
a nível consolidado. Esse grupo de apoio era freqüentemente o germe
do departamento de planejamento.
Costumava-se
dar especial atenção à análise daquelas propostas capazes de potenciar-se
mutuamente, isto é, àquelas ações com capacidade de gerar sinergia
na organização. Contudo, no início dos anos 60 as ferramentas metodológicas
para a análise das inter-relações estratégicas na organização eram
bastante rudimentares e o próprio termo sinergia caiu em desuso.
Em meados dos anos 80, esta noção de sinergia na organização parece
reviver como um possível procedimento para criar uma vantagem competitiva
sustentável.
Depois
de uma primeira revisão, os grupos de propostas eram devolvidos
aos departamentos, ou às pessoas que lhes haviam dado origem, para
sua consideração à luz de novas diretrizes. Esse processo podia
repetir-se algumas vezes mais. Ao longo do mesmo, a alta direção
e sua equipe iam compreendendo com maior profundidade a situação
atual da empresa e perfilando os objetivos que podiam conduzi-la
à posição desejada no futuro. O resultado de tudo isso era um plano
a longo prazo, apresentado com freqüência no documento-resumo do
exercício ao qual se havia submetido a organização. Epígrafes características
deste tipo de documento costumavam ser as seguintes:
| |
Enunciado
da missão ou filosofia da organização. |
| |
Descrição
e diagnóstico do ambiente competitivo. |
| |
Manifestação
da estratégia da empresa. |
| |
Apresentação
dos programas que permitirão a realização da estratégia no tempo. |
| |
Concretização
da estratégia em objetivos quantitativos (balanços de resultados
pro forma, quadros de financiamento, etc.). |
| |
Atribuição
de responsabilidades (às vezes, mediante objetivos orçamentários). |
| |
Definição
dos sinais de alerta (para gerar ações corretoras). |
Crise
dos sistemas de planejamento estratégico
Esse
tipo de sistemas de planejamento foi extensamente criticado por
sua tendência a tornar-se um mero ritual, com sacrifício do propósito
original: o estímulo à criatividade para que a organização pudesse
desenvolver todo o seu potencial. O resultado do processo com freqüência
se limitava ao grosso volume descritivo do plano, sem maiores conseqüências
práticas. Talvez isso, a modalidade que se denominou sistemas formalizados
de direção decidiu insistir naqueles aspectos do procedimento com
maior incidência na tradução dos objetivos do plano em ações concretas.
Antes
de analisá-los, é importante completar a referência histórica. Não
terão passado despercebidos ao estudioso da ciência econômico os
paralelismo desses métodos com determinadas técnicas e enfoques
de tipo macroeconômico, experimentados em diversos países ocidentais,
em princípios dos anos 60. A noção de um potencial econômico não
realizado, devido a determinados estrangulamentos ou à falta de
estímulos apropriados, é totalmente keynesiana e alcançou seu apogeu
com as reduções de impostos concedidas pela administração Kennedy
nos Estados Unidos. Por outro lado a idéia de que um processo participativo
de planejamento pode fomentar e orientar o desenvolvimento econômico
de uma nação foi posta em prática na França, com maior ou menor
ênfase, a partir da Segunda Guerra Mundial, e limitada por outros
países de sua área de influência.
Os
sistemas formalizados de planejamento
Na
segunda metade da década de 60, a ênfase nos sistemas de planejamento
transfere-se para o procedimento. Já mencionamos antes que os sistemas
desenvolvidos por Robert McNamara, na Ford Motor Company, constituem
o protótipo dos sistemas em que predomina esse tipo de orientação.
É preciso advertir que, na citada empresa, os procedimentos de desenvolvimento
de planos a longo prazo se instrumentalizaram como uma extensão
dos métodos orçamentários. Portanto, é lógico que agora se insista
mais nos aspectos de coordenação e no estabelecimento de compromisso
visto que estas são as funções nas quais um orçamento costuma se
revelar mais eficaz.
Do
ponto de vista acadêmico, o trabalho mais representativo nesse terreno
é o projeto sobre sistemas formais de planejamento, dirigido pelo
professor Richard F. Vancil, da Harvard Business School, durante
os anos de 1968-1972, projeto que se reflete no livro de Peter Lorange
e Richard F. Vancil, Strategic Planning Systems, Prentice-Hall,
1977. O trabalho recolhe algumas das lições (não poucas vezes dolorosas)
da época em que muitas empresas criaram departamentos de planejamento
em seu seio, baseadas nas idéias descritas na seção anterior. Algumas
delas podem parecer triviais hoje, mas vale a pena recordá-las aqui,
porque neste tema é especialmente certo que quem ignora o passado
está condenado a repeti-lo.
O
interesse da direção no sistema: chave do êxito
Será
útil tomar como exemplo um dos dados mais repetidos nas situações
estudadas por Vancil e sua equipe. Os fracassos mais claros na introdução
de um sistema formal de planejamento estiveram normalmente associados
à falta de um compromisso profundo da alta direção com o sistema,
ou à preterição dos diretores de linha em favor da equipe de assessoria
durante o processo de planejamento. É condição necessária para o
êxito de qualquer sistema formal que os subordinados percebam um
genuíno interesse da direção no mesmo. Unicamente através do comprometimento
profundo da alta direção no desenho e na implementação do sistema
é possível obter os benefícios que razoavelmente se deve esperar
de sua adoção. Contudo, os sistemas de planejamento foram (são?)
freqüentemente percebidos como um talismã que só precisa ser adquirido
para que surta efeito na organização.
Responsabilidade
dos diretores de linha
O
mesmo se pode afirmar da necessidade de atribuir aos diretores de
linha uma responsabilidade primária no funcionamento do sistema.
Seja a finalidade do sistema aumentar a qualidade das decisões de
negócio ou melhorar a coordenação e o compromisso das atividades
com maior incidência no rumo da organização, é evidente que o comando
deve corresponder à direção de linha. Apesar disto, não poucos fracassos
desses sistemas tiveram sua origem no fato de que sua condição foi
cedida, em grande parte, aos analistas encarregados de gerar a informação
de base e de supervisionar o processo do ponto de vista do procedimento.
Portanto,
o que realmente conta sob o enfoque que se está considerando é a
seqüência das atividades que o sistema gera, assim como as pessoas
envolvidas em cada uma delas. O calendário de reuniões que se programa
e a agenda de temas que se discutem são, neste sentido, mais importantes
do que os documentos que se apresentam nelas. Portanto, não é surpreendente
que a literatura sobre o tema seja abundante em recomendações sobre
esses aspectos. Assim, por exemplo, o gráfico Fases do processo
de planejamento mostra o processo que se pode seguir em
empresas diversificadas que tenham incorporado em seu seio um sistema
de planejamento estratégico. Observe o leitor que o gráfico se refere
a uma estrutura de tipo divisional (freqüente, por outro lado, em
empresas diversificadas). Em outro tipo de estrutura organizacional
(funcional ou matricial), o sistema mostraria um perfil diferente,
embora sua intencionalidade fosse a mesma.
Fases
do processo de planejamento

O
gráfico mostra o processo que se pode seguir em empresas diversificadas
que tenham incorporado um sistema de planejamento estratégico. No
desenho, outorgou-se o protagonismo aos diretores de linha, mas
nele se deu mais importância ao calendário das reuniões e à agenda
de temas de discussão do que aos documentos que se apresentam na
reunião. O gráfico faz referências a uma estrutura de tipo divisional,
frequente por outra parte em empresas diversificadas. Em um sistema
funcional ou de tipo matricial, o perfil seria diferente, embora
sua intencionalidade fosse a mesma.
Ênfase
no caráter situacional
O
comentário anterior leva a sublinhar outra das características centrais
deste enfoque: a ênfase no caráter situacional do desenho mais apropriado
para um sistema de planejamento estratégico. Da mesma forma que
a estrutura organizacional da empresa incide sobre o desenho do
sistema, também o fazem outras variáveis (tamanho da empresa, maturidade
dos mercados em que opera, etc.) diferentes de uma situação para
outra. O que determina, em última análise, a boa qualidade do sistema
é o seu grau de adequação às circunstâncias singulares de cada passo.
Contudo, esta conclusão não deve levar a uma atitude de ceticismo
sobre o nível dos conhecimentos generalizáveis que alguém possa
chegar a desenvolver sobre o tema. O enfoque dos sistemas formalizados
dá um passo a mais e identifica as variáveis que em qualquer caso
são críticas no desenho do sistema. Levando em consideração a complexidade
do problema, esta é uma vantagem que não deve ser subestimada.
Conexão
entre plano e orçamento
Um
dos elementos do desenho, que costuma revelar-se de grande importância,
é a conexão entre o plano a longo prazo e o orçamento anual. Até
que ponto devem ser consistentes estes dois documentos, tanto quanto
as suposições em que se baseiam, como aos objetivos quantitativos
nos quais se produz um solapamento? Que ritmo de convergência deve
adotar-se na elaboração de ambos os documentos, quando se decidiu
sincronizá-los de alguma forma?
Mais
uma vez, o contexto de cada situação é determinante para responder
a tais perguntas. Uma vinculação estreita provavelmente fomentará
o realismo e a prudência entre os diretores responsáveis pelo cumprimento
do orçamento; assim, a direção da empresa deve decidir se este é
o tipo de atitude que quer fomentar no momento atual. Por outro
lado, um desenho de vínculos frouxos, com o objetivo de fomentar
a criatividade do negócio, pode criar a aura de um mero exercício
intelectual em torno do plano a longo prazo. Nesse sentido, a experiência
da organização com processos formais de planejamento costuma revelar-se
como uma consideração primordial.
Uma
empresa que pela primeira vez enfrenta a tarefa de desenvolver um
plano a longo prazo de forma explícita, pode não estar nas circunstâncias
mais apropriadas para que se exija desde o início o rigor de uma
vinculação rígida entre plano e orçamento. A familiaridade com esse
tipo de sistema, criada com seu uso repetido, facilita, pelo contrário,
maiores expectativas sobre a capacidade da organização para cumprir
o plano. É então que a vinculação mais estreita entre plano e orçamento
pode ser aconselhável. Por isso uma evolução temporal, iniciada
com vínculos folgados que se irão estreitando progressivamente,
com freqüência constitui uma política aconselhável para a introdução
de um sistema de planejamento a longo prazo. Em qualquer caso, é
recomendável pensar no problema desde o início; a mudança de práticas
pode prejudicar o processo de aceitação do sistema por parte da
organização.
De
todo modo, inconsistências notáveis entre plano e orçamento não
podem ser uma prática habitual, e o melhor é erradicá-las quanto
antes. Sob o pressuposto da consistência, o ritmo de vinculação
entre plano e orçamento é uma variável do desenho que permanece
em mãos do coordenador do sistema. Em outras palavras: em que momento
do processo se começa a falar de objetivos a curto prazo que incorporam
um compromisso de cumprimento?
O
gráfico Ritmos diferentes de vinculação entre o plano e orçamento
apresenta três amplas alternativas a respeito. As considerações
desenvolvidas no parágrafo anterior (criatividade versus realismo)
são de novo válidas para refletir sobre o ritmo que se deseja introduzir
na própria empresa, em cada momento.

O
gráfico apresenta três amplas alternativas para o estabelecimento
da conexão mais adequada no tempo, entre o plano e o orçamento,
e em função de uma estreita correlação entre criatividade (que supõe
alguns vínculos frouxos) e realismo (que supõe uma estreita vinculação
entre plano e orçamento).
Função
e dependência hierárquica do departamento de planejamento
A
função e a dependência hierárquica do departamento de planejamento
também são elementos importantes no desenho do sistema. Uma empresa
pode optar simplesmente por alocar esta função ao departamento do
controlador, mas uma alternativa óbvia é a criação de um novo departamento
com esse propósito. Neste último caso, o posicionamento do departamento
dentro da organização é um tema que deve ser examinado com cuidado.
Algumas empresas subrdinam-no ao departamento do controlador; outras
fazem-no depender diretamente da direção geral. Evidentemente, cada
uma das duas opções contém diferentes mensagens à organização sobre
o significado do novo sistema.
É
importante ter presente uma das conclusões que foram apresentadas
no início desta opção. O papel do planejador não consiste em tomar
decisões: estas devem ficar nas mãos dos diretores de linha. Seu
trabalho é o de atuar como catalisador do processo, certificando-se
de que a informação válida se encontra disponível nos momentos adequados.
Isso implica, certamente, um alto grau de conhecimento, tanto do
ambiente competitivo, como das capacidades e das tendências dos
diretores envolvidos em cada etapa do processo.
Primeiros
sintomas de fraqueza
Antes
de entrar na seguinte etapa da evolução dos sistemas de planejamento
estratégico, é importante encerrar esta seção com uma breve referência
histórica. A recessão econômica de 1970-1971 pareceu revelar as
fraquezas que ainda persistiam nesse tipo de sistema, inclusive
de procedimento que o enfoque formal tinha fornecido ao acervo comum.
Embora essa recessão fosse relativamente suave, em comparação com
as que o mundo ocidental ia experimentar poucos anos depois, foi
suficiente para que muitas empresas se dessem conta de que os sistemas
de planejamento estratégico não eram uma garantia de êxito. Vancil
e Lorange calculam que um terço ou um quarto dos departamentos de
planejamento existentes na época foram eliminados ou fortemente
expurgados. Os sobreviventes não podiam deixar de questionar-se
sobre as razões pelas quais os sistema não tinham satisfeito as
altas expectativas depositadas neles. O que é que estava funcionando
mal?
Para
alguns, uma atenção excessiva ao procedimento havia relegado à um
segundo plano o que sempre deveria ter ocupado o primeiro: a estratégia
produto-mercado de cada negócio da empresa. Para outros, o grande
erro foi a pouca atenção dada às inter-relações entre as diversas
unidades de negócio. Para outros, por fim, os sistemas de planejamento
estratégico não haviam feito outra coisa senão reforçar a suposição
mais fraca dos anos 60: a crença nas possibilidades ilimitadas de
crescimento e a fácil disponibilidade de capital. O pêndulo estava
pronto para oscilar em outra direção.
Os
anos 70: O Planejamento da Carteira de Produtos
A
década de 70 trouxe consigo mudanças radicais no ambiente do mundo
ocidental. Baixos ritmos de crescimento e altos níveis de inflação
foram a pauta dominante, desde a crise do petróleo que aflorou em
1973. Neste contexto, muitas empresas experimentaram rápidos declives
em seus níveis de rentabilidade, assim como uma diminuição importante
em seus ritmos de crescimento. Os mercados financeiros endureceram-se
notavelmente, introduzindo entre as empresas uma maior aversão à
busca de capital externo. Os altos juros, juntamente com menores
rentabilidades sobre os ativos, reduziram a atração do apoio financeiro.
Por outro lado, o baixo índice de muitas cotações nas bolsas de
valores faziam aparecer como proibitivas muitas ampliações de capital.
Para muitas empresas, uma política de crescimento internamente sustentando
era o único caminho possível.
Planejamento
da carteira de produtos
O
planejamento através da chamada carteira de produtos apareceu como
a resposta mais apropriada para esse tipo de ambiente econômico.
Visto que essa técnica foi utilizada principalmente em empresas
diversificadas com estrutura divisional, sua discussão aqui irá
basear-se neste contexto. Vale a pena considerar por um momento
os problemas de alocação de recursos que se apresentavam à direção
geral dessas empresas frente à deterioração da rentabilidade e à
escassez de capital. A resposta global de muitas delas orientou-se
para a concentração de recursos, isto é, para o investimento daqueles
negócios cuja viabilidade havia ficado seriamente afetada pelas
novas condições do ambiente. Esse era, por outro lado, o caminho
mais rápido para melhorar a rentabilidade da empresa: a eliminação
dos negócios mais ruinosos devia redundar numa melhoria do índice
agregado. Pura questão de aritmética.
Exigências
de um programa de desinvestimento
Um
programa amplo de desinvestimento exige um procedimento sistemático
para identificar os candidatos apropriados. E isso, tanto para tomar
as decisões adequadas, como para legitimar as ações cirúrgicas frente
à organização. Qualquer dos dois modelos de carteira em uso permite
a identificação dos produtos indesejáveis (matriz crescimento/participação)
ou das unidades que devem ser desinvestidas (matriz/fortaleza).
Nesse sentido, elas desempenham a função de criar o marco de referências
para uma operação de desinvestimento.
Para
uma política de autofinanciamento
Por
outro lado, mesmo se a depuração da carteira de negócios não era
uma prioridade dominante, o problema da alocação racional de recursos
persistia sob uma forma diferente. A hostilidade (real ou imaginária)
dos mercados de capitais levou muitas empresas a desenvolver uma
política de autofinanciamento. Sob essa premissa, os recursos destináveis
ao reinvestimento são necessariamente limitados e é preciso adotar
decisões bem definidas sobre os negócios que encerram maior promessa
de futuro. O suporte analítico próprio deste tipo de esquemas é
de grande utilidade para levar a tarefa a cabo, com êxito.
Da
conta de resultados às variáveis fundamentais
Evidentemente,
a informação mais válida para levar a termo esta análise é a que
têm in mente os diretores à frente de cada unidade de negócio. De
fato, esta especialização em termos de produto-mercado está na raiz
lógica de qualquer estrutura divisional. Ora, os diretores do escritório
central, diante da tarefa de alocar recursos escassos, descobriram
que não só careciam de conhecimentos substantivos sobre cada negócio
em particular, mas que também não dispunham de uma linguagem suficientemente
rica e apropriada para entabular um diálogo sobre cada unidade de
negócio nos termos relevantes. Os métodos de planejamento, aos quais
nos referimos em seções anteriores, costumavam produzir grande quantidade
de informação financeira e estatística, mas faziam pouca referência
a fenômenos, como a posição relativa dos custos, a participação
de mercado, a taxa sustentada de crescimento, etc. Os métodos de
planejamento de carteira tiveram a virtude de mudar os termos dominantes
nas reuniões de planejamento: a atenção transferiu-se da análise
exaustiva das contas de resultados previstas, para as variáveis
econômicas fundamentais.
Por
último, os sistemas de planejamento de carteira serviram para estimular
o pensamento estratégico naquelas empresas que, por quaisquer razões,
não tinham sabido fomentá-lo em grau suficiente entre os diretores
à frente de cada negócio. Em outras palavras, havia situações piores
do que a falta de um esquema que facilitasse a comunicação entre
o escritório central e as divisões. Em não poucos casos, eram estas
últimas que, com a ajuda do ambiente benigno dos anos 60, haviam
se esquecido de levar a cabo uma avaliação profunda de seus produtos
e mercados, em termos estratégicos. Não há dúvida de que os métodos
de planejamento de carteira encerravam um grande potencial para
esses casos, desde que não fossem apresentados à organização de
maneira simplista.
Suposições
básicas dos sistemas de planejamento de carteira
Em
resumo, três propósitos principais parecem estar subjacentes por
trás da grande popularidade que os sistemas de planejamento de carteira
adquiriram nos anos 70: melhor alocação de recursos (interna ou
através de desinvestimento), facilidade para contato da alta direção
com os diretores divisionais e fomento do componente estratégico
no pensamento destes. Mais uma vez, volta-se a formular um consideração
já familiar: o êxito no uso da ferramenta depende, em grande parte,
da lucidez do usuário sobre os motivos de sua adoção.
Em
caso de planejamento de carteira, essa cautela adquire uma importância
especial. A estratégia de implementação variará substancialmente
de uma situação para outra. Assim, por exemplo, o grande risco das
classificações estratégicas que o sistema gera é sua conversão em
profecias que levem consigo a semente de seu próprio cumprimento.
Os negócios etiquetados como "muito bons" ou "muito
maus" terão pouca motivação para produzir idéias capazes de
rejuvenescer seus produtos. Contudo, a vida real mostra-nos constantemente
produtos maduros que souberam adaptar-se ao seu ambiente setorial
e experimentar um novo crescimento. Se a razão principal para adotar
um sistema de carteira é o estímulo do pensamento estratégico entre
os diretores de linha, torna-se pois recomendável evitar a etiqueta
explícita das unidades de negócio. De forma semelhante, podem derivar
outras práticas administrativas apropriadas para cada tipo de propósito.
Os
métodos de planejamento de carteira e o boom japonês
Antes
de ir adiante para examinar o estado da questão nos anos 80, é preciso
fazer uma nova referência ao contexto histórico. Assinalamos acima
que os chamados sistemas de planejamento do desenvolvimento do tipo
desenhado pelo Stanford Research Institute podiam ser vistos como
um reflexo das idéias keynesianas, já dominantes na prática econômica
em meados dos anos 60. De forma semelhante, os métodos de planejamento
de carteira guardam uma semelhança não casual com algumas idéias
de política industrial que vêm despertando crescente interesse pelo
êxito econômico do Japão, país que parece ter praticado estas idéias
em escala nacional. A estratégia japonesa de selecionar setores
de futuro com características definidas (alto valor agregado, competitivos
a nível global, etc.) parece ter produzido frutos extraordinários.
Insiste-se no "parece" porque ainda não há provas irrefutáveis
que demonstrem que o êxito econômico alcançado por este país se
deva a tal tipo de práticas. Por outro lado, é questionável que
o modelo possa ser imitado com facilidade por outros países. Também
a nível da estratégia nacional os fatores culturais costumam ser
decisivos. Como no campo da empresa, nada pode poupar a árdua tarefa
da análise situacional.
O
paralelismo entre um sistema de planejamento estratégico apoiado
em uma "carteira de produtos" e uma política industrial
"de corte japonês" torna-se especialmente sugestivo ao
considerar as implicações de tipo humano que ambos comportam. A
função que o departamento de planejamento estratégico desempenha
em uma empresa privada encontra sua correspondência a nivel nacional
em uma entidade como o Ministry of International Trade and Industri
(MITI) do Japão.
Funções
do MITI
As
percepções que no mundo ocidental se tem sobre as funções do MITI
são muito variadas e possivelmente nem sempre de acordo com a realidade.
Contudo, ao considerar sua possível tradução para outras latitudes,
duas características sobressaem de forma especial: o processo de
seleção e de desenvolvimento de seu funcionalismo, bem como suas
pautas de interação com o setor privado.
O
MITI é um organismo estatal que consegue atrair os graduados universitários
mais brilhantes do Japão, e que os persuade a aceitar uma carreira
estável mas com um lento processo de promoção. É muito marcante
o contraste com os Estados Unidos, onde os graduados das melhores
universidades costumam dirigir-se invariavelmente para um setor
privado que lhes prometa um êxito rápido em termos econômicos e
sociais.
Se
o processo de seleção garante a capacidade intelectual das pessoas
que se incorporam ao MITI, sua passagem por diversos postos permite
identificar aqueles que têm outro tipo de qualidades, tão importantes
para a sua tarefa como a inteligência e os conhecimentos. Por exemplo,
a capacidade de diálogo com os dirigentes do setor privado é uma
característica inescusável para um alto dirigente do MITI. Entretanto,
a qualidade mais apreciada para estas pessoas talvez seja uma genuína
orientação para os aspectos da tarefa confiada, acima de outras
inclinações bastante freqüentes entre os funcionários de elite.
Métodos
de trabalho do MITI
Toda
a evidência indica que os funcionários do MITI desenvolvem sua política
industrial de maneira lenta, isto é, investem enormes quantidades
de tempo escutando as razões de cada uma das partes interessadas
no jogo competitivo. Somente depois de períodos muito prolongados
de reflexão e estudo decidem-se a apoiar uma empresa ou setor de
futuro ou a tornar a vida um pouco mais difícil para um perdedor
que parece entorpecer o processo. Evidentemente, isto só pode ser
reproduzido no contexto de estabilidade que as práticas dos altos
executivos do MITI permitem.
Tais
métodos de trabalho respondem a um conflito básico subjacente a
todo processo de identificar "ganhadores" e "perdedores".
Toda a evidência acumulada até a data mostra que aqui existe uma
clara assimetria: é muito mais difícil identificar os primeiros
do que os segundos. As razões são, por outro lado, bastante óbvias:
uma detecção precoce daqueles produtos que terão êxito no futuro
exige um conhecimento profundo da tecnologia; mas esta costuma ser
pouco definida naqueles setores onde vale a pena realizar esse tipo
de exercício. O ritmo pausado dos funcionários do MITI não é um
traço cultural: responde a um dilema de toda política industrial.
Essas
experiências têm valor que não é apenas anedótico para os interessados
em sistemas de planejamento estratégico na empresa privada. A alocação
seletiva de recursos em qualquer sistema social exige que se considerem
simultaneamente os aspectos de lógica analítica e as conseqüências
sociais do processo. Ignorar as inter-relações entre ambos os fatores
conduz de forma inexorável ao fracasso.
Os
anos 80: Tempo de consolidação
Nem
todo processo evolutivo na área dos sistemas de planejamento estratégico
consistiu em descartar por completo os enfoques precedentes. Em
grande parte, cada nova etapa implicou uma assimilação dos elementos
mais válidos introduzidos nas anteriores. Muitas das lições apreendidas
através dos denominados enfoques formalizados continuam sendo válidas
hoje em dia. As técnicas de carteiras de produtos continuarão evoluindo
mas, possivelmente, permanecerão de forma na "caixa de ferramentas"
da alta direção. O enfoque situacional (a atenção às necessidades
e às circunstâncias próprias de cada organização) continuará sendo
dominante, mas a nossa compreensão das variáveis a levar em consideração
foi melhorando consistentemente ao longo destes últimos vinte e
cinco anos.
Processo
de planejamento estratégico
O
quadro Panorama do processo de planejamento estratégico é uma reprodução,
ligeiramente modificada, do documento que uma empresa norte-americana
de certo porte utilizava no final dos anos 70 para esquematizar
seu processo de planejamento estratégico. Ele pode ser útil para
ilustrar o ponto precedente sobre a assimilação progressiva dos
elementos positivos, identificáveis nos enfoques examinados.
Um
exame do quadro revela que a seqüência de atividades que nele se
prescreve é compatível com a que aparece no gráfico Fases do processo
de planejamento, na seção dos sistemas formalizados. Mostra também
a incorporação das técnicas de carteira de produtos da fase (3)
de Classificação estratégica, embora seja uma peça a mais dentro
do sistema.
Observe-se
que neste esquema a direção da unidade estratégica de negócio (U.E.N)
realiza a análise básica da carteira, mas é incumbida de formular
duas opções estratégicas (fase 4) e concretizá-las em objetivos
qualitativos de diferente natureza (fase 5), assim como em programas
de ação (fase 6). É então a alta direção que decide sobre a estratégia
que se deve seguir (fase 7) e a escolha converte-se em um marco
de referência (fase 8), para que de novo a direção da U.E.N. a explicite
de forma detalhada e desenvolva ao mesmo tempo um plano contingente
(fase 9) para pô-lo em prática, se algum dos pressupostos básicos
se revelar errôneo durante a execução. Finalmente, o processo se
encerra com a aprovação de três documentos (fase 10), que possivelmente
se pareçam pouco com os grossos volumes de capas negras que costumavam
proliferar nos anos 70. Na realidade, são três documentos bem tradicionais:
um orçamento operativo, um orçamento de investimentos e algumas
medidas de gestão. Evidentemente, o que importa não são os documentos,
mas a qualidade que as nove fases anteriores tiverem conseguido
infundir na direção da linha.
Panorama
do processo de planejamento estratégico
|
Análise
estratégica
|
Análise
do ambiente
|
Análise
competitiva
|
Avaliação
|
| |
Áreas-chave
de negócio
|
|
|
Variáveis
estratégicas
|
Oportunidades
|
Capacidades
|
|
Classificação
estratégica
|
Crescimento
efetivo
|
Geração
de recursos
|
|
Crescimento
potencial
|
Problema
|
|
Opções
estratégicas
|
Agressiva
|
Conservadora
|
|
Objetivo
de negócio
|
Participação
relativa
Lucro líquido
Outros
|
Participação
absoluta
Recursos gerados líquidos
Outros
|
|
Estratégias
alternativas
|
Alternativa
1
Pressupostos chave
Principais programas
Necessidades de recursos
Resultados econômicos
Implicações financeiras
|
Alternativa
2
Pressupostos chave
Principais programas
Necessidades de recursos
Resultados econômicos
Implicações financeiras
|
|
Seleção
estratégica
|
Alta
direção
Estratégia
Disponibilidade
de recursos
Atitudes frente ao risco
|
Estratégias
alternativas
Resultados
Custos
Risco
Credibilidade
|
|
Diretrizes
de planejamento
|
Objetivos
|
Taxa
de reinvestimento
|
Limitações
|
|
Planejamento
operativo
|
Programação
Ações
Calendário
Alvos
Finanças
|
Esquema
contingente
Pressupostos
Pontos de reação
Resposta
Impacto
|
|
Revisão
e aprovação
|
Plano
de lucros
|
Orçamento
de investimentos
|
Medidas
de gestão
|
|
Análise
estratégica
|
Um
estudo em profundidade identifica as oportunidades de obter
bons resultados econômicos, assim como áreas-chave de negócio
do setor (características fundamentais que definem uma participação
rentável na indústria). Avaliam-se os pontos fortes e fracos
tanto da concorrência como do próprio negócio à luz dessas
áreas-chave. |
|
Variáveis
estratégicas
|
Como
resultado da análise estratégica, avaliam-se as oportunidades
que o ambiente apresenta, considerando:
r
Crescimento
w
taxa de aumento
w
volatilidade em relação à situação econômica geral
r
Rentabilidade
w
magnitudes monetárias absolutas
w
magnitudes relativas (% de lucro líquido; % de rentabilidade
sobre o investimento)
r
Risco
w
tecnológico
w
legal
r
Estrutura
w
barreiras de entrada
w
características econômicas
Também se avalia a capacidade do negócio para explorar as
oportunidades que o setor apresenta, considerando:
Seus pontos fortes e fracos com relação a:
w
áreas-chave de negócio
w
capacidades da concorrência
O potencial de melhoria das capacidades |
|
Classificação
estratégica
|
A
direção da empresa classifica o negócio em função de suas
oportunidades e capacidades dentro de uma das seguintes
categorias:
r
Situação de crescimento efetivo, devida à combinação de
alta capacidade com alta oportunidade.
r
Situação de crescimento potencial, devida ao fato de que
uma alta oportunidade se combina com uma baixa capacidade
no momento atual.
r
Situação de geração de fundos, devida à combinação de uma
baixa oportunidade com uma alta capacidade.
r
Situação problema, devida à conjugação de baixa oportunidade
e baixa capacidade. |
|
Opções
estratégicas
|
A
direção da empresa, as opções lógicas que se abrem a cada
unidade de negócio a partir de sua classificação estratégica:
r
Crescimento efetivo
w
crescer
w
crescer mais depressa
r
Crescimento pontencial
w
investir para melhorar capacidades]
w
retirar-se do negócio
r
Geração de recursos
w
manter-se na situação presente
w
colher lentamente
r
Problema
w
reorientar os ativos para enfocar melhor as capacidades
w
retirar-se do negócio
Em cada caso, trata-se de fazer uma opção agressiva no sentido
de dedicar recursos e produzir fluxos de caixa no futuro,
ou uma conservadora, no sentido de concentrar-se em produzir
fluxos de caixa imediatos com os recursos existentes. |
|
Objetivo
de negócio
|
A
direção operacional de cada unidade determina um grupo de
objetivos específicos correspondentes a seu negócios, de
acordo com sua opção estratégica específica. Os objetivos
de uma opção agressiva se concentrarão em metas relacionadas
com crescimento, tais como participação relativa no mercado
e aumento no lucro líquido. Os objetivos de uma opção conservadora
se concentrarão em metas relacionadas com fundos líquidos,
tais como participação absoluta no mercado e aumento nos
recursos gerados líquidos. |
|
Estratégias
alternativas
|
A
direção operacional formula seu juízo sobre a melhor maneira
de perseguir cada grupo de objetivos. Isso fornecerá à alta
direção a informação necessária para alcançar uma decisão,
comparando as alternativas à luz dos objetivos gerais da
empresa, da disponibilidade de recursos e das possibilidades
em outras áreas de negócio. Essa informação incluiria:
r
Pressupostos-chave sobre o ambiente necessário para formular
a estratégia, mas que teriam um impacto substancial se resultassem
errôneos.
r
Principais programas, descrevendo as atividades-chave que
a unidade de negócio empreenderia para conseguir um grupo
de objetivos.
r
Recursos necessários para levar a cabo programas principais
r
Resultados econômicos, indicando até onde chegaria a estratégia
para conseguir os objetivos.
r
Implicações financeiras da estratégia, volume previsto,
participação, lucro líquido, recursos gerados líquidos e
desembolsos. |
|
Seleção
estratégica
|
A
direção da empresa decide entre as duas estratégias alternativas,
comparando seus custos, riscos, resusltados e credibilidade
à luz da estratégia global da empresa, da disponibilidade
de recursos, das atitudes frente ao risco e oportunidades
em outras áreas. |
|
Diretrizes
de planejamento
|
A
direção da empresa dá diretrizes para o planejamento detalhado
de cada unidade, consistentes com a alternativa estratégica
escolhida. Estas diretrizes serão expressas em termos de:
r
Objetivos, indicando os principais resultados que se esperam
da unidade de negócio e de sua estratégia.
r
Taxa de reinvestimento em termos dos recursos que se desejarem
em cada unidade, expressos como proporção de sua caixa gerada
internamente.
r
Limitações, indicando os resultados financeiros e de mercado
que se espera da unidade de negócio enquanto persegue seus
objetivos principais. |
|
Planejamento
operativo
|
A
direção operacional define detalhadamente as atividades
que devem ser desenvolvidas para levar a cabo a estratégia
escolhida, concretizando o calendário, os principais objetivos
e as implicações financeiras dos vários programas de ação.
Simultaneamente, examinam-se os pressupostos-chave nos quais
se baseia a estratégia escolhida. Os sucessos, que indicariam
um pressuposto-chave como errôneo, identificam-se como pontos
de reação para iniciar as respostas contigentes apropriadas.
Avaliam-se também os impactos desses sucessos e seus planos
contingentes associados, sobre a estratégia e os resultados
econômicos. |
|
Revisão
e aprovação
|
As
atividades desenvolvidas no processo de planejamento operacional
condensam-se em três documentos formais que são revisados
e aprovados pela direção da empresa:
r
O plano de lucros
r
O orçamento de investimentos
r
As medidas de gestão
Em seu conjunto, esses documentos descrevem o tipo de compromisso
que a empresa assumiu com relação à unidade de negócio,
as expectativas adotadas quanto aos resultados que devem
ser obtidos, e a forma em que se avaliará a direção à luz
de seus principais objetivos e das características do ambiente. |
Planejamento por cenários
Em
meados dos anos 80, não se perceberam grandes comoções no horizonte
sobre a metodologia do planejamento estratégico. Há maior ênfase
no exercício sistemático e ao mesmo tempo criativo
da imaginação na análise do ambiente. É o enfoque que recebeu a
denominação de planejamento por cenários. Muitas das empresas que
utilizavam as técnicas mais modernas de planejamento descritas neste
trabalho, não perceberam (ou perceberam muito tarde) fenômenos como
a crise da energia, a supremacia competitiva das empresas japonesas
em produtos tão importantes como os carros ou a eletrônica de consumo.
Esse fato chamou a atenção sobre a capacidade dos sistemas de planejamento
estratégico para trabalhar eficazmente num ambiente com alto nível
de incerteza. Algumas empresas, como a Shell, fizeram do planejamento
por cenários um parte essencial de seus sistemas. O método insiste
na formulação explícita das hipóteses sobre o ambiente, para proporcionar
uma visão global e internamente consistente do futuro.
O
planejamento por cenários costuma incluir ambientes mais amplos
do que o puramente setorial. A análise de ambientes nacionais é,
com freqüência, parte do processo. Questões, como a capacidade de
certos países latino-americanos para saldar suas dívidas, a tendência
dos juros nos Estados Unidos ou a cotação do dólar, são tratadas
explicitamente, enfatizando a consistência das hipóteses que apoiam
o cenário global. Para a empresa, evidentemente, o tema de interesse
é a interação dos diversos cenários com estratégias alternativas.
O gráfico Matriz de planejamento por cenários sugere o complicado
puzzle que este tipo de exercício pode originar com facilidade.
Como
acontece com qualquer outro tipo de técnica analítica, incorporar
o desenvolvimento de cenários em um sistema de planejamento estratégico
é algo que só pode ser feito depois de efetuada a devida análise
custo/benefício. Um elevado grau de incerteza em algum elemento-chave
do ambiente pode tornar o esforço rentável.
Um
cenário é uma visão internamente consistente do ambiente em que
a empresa realiza suas atividades de negócio. Com freqüência costuma-se
pensar que se trata sempre de um ambiente a nível nacional ou internacional
e que, portanto, será expresso em termos de natureza macroeconômica.
Embora em muitos casos seja assim mesmo, também é certo que a metodologia
do planejamento por cenários pode ser aplicada de forma plena a
nível setorial. E, nesse sentido, sua utilidade não se limita ao
campo da grande empresa. Uma empresa de porte médio pode considerar
conveniente, em determinada circunstâncias, fazer um uso intensivo
dessa ferramenta.
Tais
circunstâncias costumam dar-se quando existem incertezas importantes
sobre a evolução futura do ambiente competitivo. Em tais casos,
é tentador concluir que não é possível fazer previsão alguma e que,
portanto, dedicar-se a planejar é perder tempo. Uma postura desta
natureza esquece que o planejamento consiste justamente em fazer
com que as coisas aconteçam de forma diferente daquela indicada
por uma previsão meramente passiva.
Ora,
um certo vislumbre de futuro é condição necessária para que o planejamento
possa ter lugar. Um cenário não é uma previsão, mas sim um meio
para melhor compreender as forças que podem condicionar a evolução
do meio-ambiente competitivo.
Objeto
e método do planejamento por cenários
Em
linhas gerais, o processo de planejamento por cenários consiste
na identificação daquelas incertezas de natureza exógena que podem
incidir de forma substancial no ambiente competitivo da empresa.
A combinação consistente dessas incertezas e o desenvolvimento de
suas implicações para as variáveis de tipo interno configuram um
cenário dado. As estimativas originais podem ser fornecidas pelos
diretores de linha. Nesse caso, uma das vantagens do método é sua
capacidade potencial para pôr em evidência as incongruências entre
as hipóteses de trabalho sustentadas pela equipe diretora. Com muita
freqüência, pelo menos um dos cenários é gerado pela equipe de planejamento
com o propósito de desafiar os pressupostos de trabalho mais habituais
entre os diretores de linha, e forçar a análise não convencional
destes.
Em
busca da sinergia
Há
outro tema familiar na literatura de planejamento estratégico que
possivelmente reapareça em futuro próximo. Trata-se da consecução
de efeitos sinérgicos como meio de alcançar uma vantagem competitiva
sustentável. Como já mencionamos neste trabalho, a idéia de conseguir
que o todo seja superior à soma das partes é, sem dúvida, atraente.
O problema está em que seus principais proponentes nos anos 60 não
haviam conseguido apresentar uma metodologia apropriada para fazer
com que o efeito se materializasse. Felizmente, a análise crítica
dos modelos de carteira pôs em evidência algumas idéias que podem
ser úteis nesse aspecto.
Ao
examinar em profundidade o fundamento analítico do modelos de carteira,
acaba-se por perceber que a produção acumulada de um produto pode
não ser um indicativo direto de sua posição relativa em termos de
custo. Se existem custos compartilhados, a análise individual de
cada atividade que compõe a cadeia de valor agregado é uma prática
mais sólida do que considerar apenas o valor unitário de cada produto.
Nesse sentido, é possível conseguir uma forte posição competitiva
para o conjunto da empresa, embora nenhum de seus produtos ostente
separadamente posições de liderança. Evidentemente, esse tipo de
práticas deve ser aplicado com sumo cuidado, porque tende a aumentar
o custo da coordenação administrativa. Contudo, não há dúvida de
que permite uma busca racional da sinergia que até agora não era
possível.
BALLARÍN,
Eduard. Métodos modernos de planejamento estratégico. Administração
de empresas, São Paulo : Nova Cultura, 1986.
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