Organizações são unidades sociais deliberadamente construídas
para perseguir objetivos específicos.
Amitai Etzioni
Uma
organização é uma combinação intencional de pessoas e de tecnologia
para atingir um determinado objetivo. Uma empresa é uma organização.
Também o é uma divisão, um departamento ou seção dentro de uma
organização maior. Pessoas, dinheiro e materiais compõem os recursos
que ingressam na organização. Bens e serviços saem das organizações.
Entre estas entradas e saídas, recursos são transformados para
criação de excedentes. (Nas empresas, estes excedentes são normalmente
chamados de lucros). Os excedentes ajudam a assegurar a continuidade
das organizações.
Se
estivéssemos numa classe, em uma faculdade de medicina, poderíamos
dissecar cadáveres e identificar as partes do corpo humano. Encontraríamos
partes padronizadas e conjuntos padronizados de partes em cada
um deles. Cada cadáver teria coração, fígado, ossos, etc. E quanto
ao interior da organização ? Será que encontraríamos órgãos vitais
padronizados em cada uma delas ?
Organização,
s. f. ato ou efeito de organizar; estado do que se acha
organizado; constituição física; estrutura; fundação;
constituição moral ou intelectual; composição.
Dicionário
Brasileiro Globo.
Francisco Fernandes,
Celso Pedro Luft,
F. Marques Guimarães |
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Claro
que sim. Toda a organização tem três partes básicas: pessoas,
tarefas e administração.
A administração inclui o planejamento,
organização, liderança e controle do desempenho
das pessoas, organizadas para a tarefa. Outro ponto fundamental
sobre as organizações é que elas existem dentro de um meio
ambiente. Todas operam dentro de um ambiente que inclui
fornecedores, clientes e concorrentes, bem como uma grande
variedade de condições legais, econômicas, sociais e tecnológicas.
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HAMPTON, David R. Administração Contemporânea:
teoria, prática e casos. São Paulo : McGraw-Hill, 1980.
Se
examinássemos nossas vidas, a maioria de nós concluiria que as
organizações invadem tanto a sociedade como nossa vida particular.
Diariamente estamos em contato com as organizações. De fato, talvez
a maioria das pessoas gaste a maior parte da vida em organizações.
Se não gastam a maior parte do tempo como membros (no trabalho,
escola, vida social e cívica, na igreja, etc.), são pelo menos
afetadas como clientes, pacientes, consumidoras ou cidadãs. Nossas
experiências dentro das organizações ou em contato com elas pode
ser boa ou má. às vezes as organizações podem parecer suficientemente
ajustadas ou responsivas às nossas necessidades e, outras vezes,
nosso contrato com elas pode provocar irritação e frustração.
Podem até chegar a ser um tormento para nós.
Estas
experiências pessoais dentro das organizações ou em contato com
elas dão-nos um compreensão vulgar do que significa "estar
organizado". Como nossas atitudes para com as organizações
podem ser positivas ou negativas, este tipo de compreensão mediante
o senso-comum pode, pelo menos, dar-nos uma boa base para o exame
mais sistemático das organizações.
As
organizações diferenciam-se de outros ajuntamentos de
pessoas por sua conduta voltada para metas. Isto é,
as organizações perseguem metas e objetivos que podem
ser mais bem alcançados pela ação harmoniosa das pessoas.
Possuem três características importantes: conduta, estrutura
e processos.
Gibson, Ivancevich e Donnelly |
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Apesar
da forte tendência a considerar-se a realização sobre o
enfoque individual, a verdade é que a grande maioria das
realizações que ocorrem na sociedade moderna só ocorrem
porque "as pessoas em grupo" se envolvem em "projetos
comuns". De fato, nossa sociedade desenvolveu-se graças
à criação de organizações especializadas que fornecem os
bens e serviços de que ela precisa. É duvidoso que o esforço
de uma pessoa isolada pudesse fazer muita coisa dentro de
nossa sociedade. Na realidade, estamos numa "sociedade
organizacional", onde as organizações, especialmente
as grandes, são as "principais realizadoras".
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A
primeira justificativa para a existência de organizações é a de
que certas metas só podem ser alcançadas mediante a ação convergente
de grupos de pessoas. Neste sentido, qualquer que seja a meta
(obtenção de lucro, educação, religião, saúde, eleição de um candidato
ou construção de um estádio de futebol), as organizações se caracterizam
por um comportamento voltado para determinada meta ou para um
objetivo. Isto é, perseguem metas e objetivos que podem ser alcançados
de moda mais eficaz e eficiente pela ação conjunta de indivíduos.
As organizações são instrumentos vitais da sociedade. Suas realizações
nos campos da indústria, educação, saúde e interesses nacionais
resultaram em enormes aumentos do padrão de vida e do poder de
influência mundial. A própria grandeza das organizações com que
tratamos no dia-a-dia deveria ilustrar, para cada um de nós, o
vasto poder econômico, social e político que possuem separadamente.
Mas
as organizações são muito mais que meros instrumentos para produção
de bens e serviços. Elas criam também o ambiente em que a maioria
de nós para a vida e , neste sentido, tem uma grande influência
sobre o comportamento. Contudo, devido à relativa atualidade do
desenvolvimento das grandes organizações, estamos apenas começando
a nos pôr a par de alguns efeitos psicológicos deste tipo de envolvimento
e da necessidade de estuda-lo. Estamos apenas começando o processo
de desenvolvimento de métodos para o estudo do comportamento das
pessoas no ambiente organizacional.
A
necessidade de administradores nas organizações
Afirmamos
que nossa sociedade desenvolveu-se mediante a criação de organizações
especializadas, capazes de fornecer os bens e serviços de que
ela necessita. Todas essas organizações são guiadas pelas decisões
de uma ou mais pessoas que chamamos de administradores. Os administradores
alocam recursos escassos para fins alternativos e freqüentemente
competitivos. São eles que determinam a relação meio-fim. Têm
autoridade (delegada pela sociedade) e responsabilidade (aceita
por eles) de construir ou destruir cidades, fazer a paz ou a guerra,
purificar ou poluir o ambiente. Estabelecem as condições relacionadas
aos cargos, rendas, produtos, serviços, proteção, saúde e conhecimento.
Os administradores, como as organizações, estão difundidos por
toda a sociedade. Seria muito difícil achar alguém em nossa sociedade
que não é administrador nem esteja sujeito às decisões de um administrador.
Se
nossa sociedade tem grande necessidade de organizações bem administradas,
concluímos que os administradores são um recurso social muito
importante. Como acontece no caso das organizações, cada um de
nós sabe alguma coisa sobre administração, devido aos contatos
diários com as várias organizações ou com os gerentes de tais
organizações. Aqui também nossas experiências podem ser boas ou
más e nossas atitudes com relação aos administradores, positivas
ou negativas. Infelizmente, embora saibamos um pouco de administração,
na prática operamos de modo ineficiente. Isto se torna patente
quando comparamos nossos planos otimistas de ontem com as realizações
reais de hoje.
Por
mais importante que a boa administração seja para o indivíduo,
seu valor real está mais ligado às organizações, vitais para a
sociedade. O fato líquido e certo é que as organizações precisam
de administradores. Organizações eficientes são hoje mais importantes
do que nunca, em nossa sociedade. Devido à complexidade crescente
da sociedade e ao tamanho cada vez maior das organizações, as
decisões administrativas individuais têm grande repercussão na
sociedade. Consideremos os problemas que nossa sociedade enfrenta
no tocante à saúde ou à energia e os problemas contínuos relativos
aos custos enormes e a outras ineficiências nos contratos governamentais
dos Estados e da federação. Cada um desses problemas ajuda-nos
a recordar as necessidades críticas da sociedade com relação a
administradores eficientes.
São
três as características comuns a todas as organizações: comportamento,
estrutura e processos.
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O que São
|
O que Têm
|
O que Fazem
|
|
Têm
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Pessoas
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Comportamento humano
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Satisfazem necessidades
Desenvolvem atitudes
Motivam
Comandam
Desenvolvem grupos
|
|
São
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Organizadas
|
Estrutura
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Crescem
Ampliam-se
Alteram-se
Combinam
Dividem-se
|
|
Fazem
|
Pessoas exercendo alguma atividade
|
Processos
|
Comunicam
Tomam decisões
|
É
evidente que se pode pensar numa organização em termos de estrutura
e forma, sem considerações sobre pessoas. Realmente, a organização
"ideal" dos primeiros teóricos da administração foi
concebida sem que houvesse considerações específicas sobre as
pessoas. Eles julgavam importante montar uma organização que estivesse
plenamente apta à consecução de suas metas. As pessoas deveriam
ajustar-se ao plano ou aos design logo que este surgisse. A principal
crença dos autores modernos é a de que o comportamento humano
é importante para a eficácia de qualquer organização. As pessoas
são um recursos comum a todas as organizações. Não existe uma
organização "sem pessoas".
GIBSON,
James L. ; IVANCEVICH, John M. ; DONNELLY Jr., James H. Organizações:
comportamento, estrutura, processos. São Paulo : Atlas, 1981.
As
variáveis-chave que afetam a organização, influenciando, com isso,
sua estrutura são sua estratégia, o ambiente
no qual ela opera, a tecnologia que ela emprega
para executar suas atividades e as características de
seus membros. A função do administrador, dentro desta
visão, é estabelecer um "ajuste" eficaz entre a estrutura
da organização e essas variáveis.
A
estratégia e a estrutura
A
íntima relação que existe entre estratégia e estrutura organizacional
foi demonstrada pela primeira vez por Chandler em seu estudo de
grandes firmas industriais americanas. Após analisar as histórias
de empresas como a Du Pont, a General Motors, a Standard Oil e
a Sears Roebuck, Chandler conclui que as mudanças de estratégia
empresarial antecedem e levam a mudanças de projeto organizacional.
Em
seus estágios iniciais, cada empresa estudada por Chandler tinha
uma estrutura centralizada que era apropriada para sua linha de
produtos limitada. Mas, com o aumento da demanda, da renda nacional
e da taxa de inovação tecnológica, estas empresas lançaram novos
produtos, entraram em novos mercados e aumentaram a produção.
A complexidade que daí resultou tornou uma estrutura altamente
centralizada ineficiente e inviável. Principalmente a entrada
em novos mercados exigiu mais independência nos níveis mais baixos
para assegurar uma resposta rápida aos mercados em evolução. Foi
mantido algum controle centralizado (o que ainda existe). Mas,
em geral, estas empresas tiveram que mudar para uma estrutura
descentralizada, com várias divisões quase autônomas, para continuar
tendo êxito.
O
ambiente e estrutura
Na
escolha de uma estratégia - e da estrutura para sua implantação
- os administradores têm que procurar saber como o ambiente externo
afetará a organização. As relações entre estratégia, estrutura
e ambiente podem ser vistas a partir de duas perspectivas básicas.
Pela primeira perspectiva, a organização reage a seu ambiente:
o processo de formulação da estratégia tem que levar em conta
o ambiente no qual a organização opera no momento e no qual estará
operando no futuro. Pela segunda perspectiva, a organização age
antes porque o processo de formulação da estratégia envolve a
escolha do ambiente em que a organização operará mais a longo
prazo.
A
maioria das organizações não é grande o suficiente para influenciar
grandes partes do ambiente externo no qual elas operam; neste
sentido, as organizações são obrigadas a se ajustar a ele. Entretanto,
com suas estratégias, elas podem escolher e realmente escolhem
aquelas partes do ambiente externo com as quais têm mais relações
e que, portanto, exercerão mais influência.
Assim,
a estratégia de uma organização será influenciada pelas oportunidades
e pelas ameaças de seu ambiente externo; pelos objetivos, valores
e crenças de seus membros (especialmente da direção); e por seus
pontos fortes e fracos - personificados por seus membros e derivados
de sua história. Esta estratégia, por sua vez, tem três efeitos
mutuamente compatíveis e que se reforçam na estrutura de uma organização:
- A
estratégia determina as tarefas da organização, que constituem
a base última do projeto da organização. (Tarefas altamente
técnicas e criativas, por exemplo, podem exigir um projeto
de organização do tipo matricial.)
- A
estratégia influencia a escolha da tecnologia e do pessoal
apropriado para a execução dessas tarefas - e estas por sua
vez, influenciam a estrutura apropriada.
- A
estratégia determina o ambiente específico no qual a organização
operará; isso também influencia a estrutura.
A
chave da estrutura organizacional bem-sucedida é seu "ajuste",
ou compatibilidade, não só com a estratégia e o ambiente externo,
mas também com o ambiente interno da empresa. Cada um destes componentes,
por sua vez, tem que estar em harmonia uns com os outros e com
a estrutura.
Nossa
discussão tem partido, até agora, da premissa de que a formulação
da estratégia e o projeto da estrutura sejam levados a cabo numa
organização sem qualquer estratégia ou estrutura anterior. Na
maioria dos casos, é claro, uma organização terá uma estrutura
e uma estratégia anterior. Sua existência influencia muitíssimo
a formulação de uma nova estratégia e de outra estrutura. É óbvio
que as restrições serão maiores para o planejamento a curto prazo
do que para o planejamento a longo prazo, mas os administradores
têm sempre que levar em conta as condições atuais da organização
ao fazerem um novo projeto de sua estratégia e de sua estrutura.
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Ambiente externo e estrutura
No exame dos efeitos do ambiente sobre o projeto
organizacional com mais detalhes, vale a pena fazer uma
distinção entre três tipos de ambiente: estável, em transformação
e turbulento.
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Ambiente estável
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Ambiente em transformação
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Ambiente turbulento
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Um
ambiente estável tem pouca ou nenhuma mudança imprevista
ou repentina. As mudanças nos produtos ocorrem com pouca
freqüência e as modificações podem ser planejadas com bastante
antecedência. A procura de mercado tem variações apenas
insignificantes e previsíveis. A legislação que afeta a
organização ou os produtos permaneceu inalterada muito tempo
e não tem probabilidade de mudar abruptamente. Não é provável
que haja novos desenvolvimentos tecnológicos, de modo que
os orçamentos de pesquisa são mínimos ou inexistentes.
Devido ao ritmo crescente de mudança tecnológica, é difícil
encontrar-se ambientes organizacionais estáveis. Mesmo assim,
eles existem. Há empresas que estão conseguindo um bom lucro
fiando cordões de algodão com máquinas de 60 anos de uso.
Há muito tempo não ocorre uma mudança digna de nota na fabricação
de palitos, tampões de bueiros e violinos. |
Num
ambiente em transformação, pode haver inovação em produto,
mercado, legislação ou tecnologia. Mas estas mudanças provavelmente
não pegarão os diretores da organização completamente de
surpresa. É provável que as tendências sejam visíveis e
previsíveis e as organizações se ajustam com facilidade.
Por exemplo, os escritórios de advocacia estão num ambiente
em mudança porque os advogados têm que se familiarizar com
todas as leis novas. Entretanto, a legislação básica muda
muito gradualmente. Outras organizações que operam num ambiente
em transformação são muitas indústrias de prestação de serviços
e de construção. |
Quando
concorrentes lançam produtos novos inesperadamente, quando
se aprovam leis sem que se seja prevenido e quando avanços
tecnológicos revolucionam projetos de produtos ou métodos
de produção, a organização está num ambiente turbulento.
Poucas organizações operam constantemente em turbulência.
Ocorrendo uma mudança rápida e radical, estas geralmente
passam por um período apenas temporário de turbulência antes
de se ajustarem. Por exemplo, hospitais têm que se ajustar
a um repentino aumento da procura de seus serviços quando
é aprovada uma legislação previdenciária hospitalar. Novas
leis de controle da poluição e a crise de energia criaram
um ambiente turbulento durante um certo tempo. Algumas firmas,
porém, têm uma turbulência quase que constante - as firmas
de computadores têm-se deparado com uma taxa de mudança
tecnológica e de mercado rápida há duas décadas ou mais.
|
Tom
Burns e G.M. Stalker fizeram distinção entre dois sistemas organizacionais:
o mecanicista e o orgânico.
Num sistema mecanicista, as atividades da organização são divididas
em tarefas separadas, especializadas. Os objetivos e a autoridade
relativos a cada indivíduo e sub-unidade são definidos com precisão
pelos administradores de nível mais alto. O poder nestas organizações
segue a cadeia de comando burocrática clássica anteriormente descrita.
Num
sistema orgânico, é mais provável que os indivíduos trabalhem
em grupo, e não sozinhos. Há menos ênfase em se receber ordens
de um chefe ou em dar ordens a subordinados. Os membros se comunicam
através de todos os níveis da organização para obter informações
e aconselhamento.
Após
estudar diversos tipos de empresa, Burns e Stalker concluíram
que o sistema mecanicista era mais apropriado para um ambiente
estável, enquanto que os sistemas orgânicos serviam mais para
um turbulento. Provavelmente, as organizações que operam em ambientes
em transformação têm uma combinação de ambos os sistemas (mecanicista
e orgânico). Num ambiente estável os membros da organização têm
pouca necessidade de um leque flexível de qualificações, pois
cada uma delas provavelmente continuará executando a mesma tarefa.
Assim, a especialização por qualificação é apropriada.
Nos
ambientes turbulentos, porém, as tarefas têm que estar sendo sempre
redefinidas para se poder estar de acordo com as necessidades
em constante transformação da organização. Os membros da organização
têm que saber resolver diversos tipos de problema, em vez de saberem
executar, repetitivamente, uma série de atividades especializadas.
Além disso, os processos criativos de solução de problemas e de
decisão necessários nos ambientes turbulentos podem ser executados
melhor em grupos onde os membros possam comunicar-se abertamente
com outros membros. Assim, nos ambientes turbulentos, um sistema
orgânico é apropriado.
As
descobertas de Burns e Stalker foram corroboradas e ampliadas
por Paul R. Lawrence e Jay W. Lorsch. Estes autores examinaram
10 empresas medindo o grau de diferenciação e de integração que
estas empresas tinham em relação ao ambiente externo em que operavam.
Lorsch e Lawrence usaram o termo diferenciação com o sentido do
grau de variação dos sistemas de valores dos administradores de
diferentes departamentos funcionais. Integração referia-se até
que ponto os membros de vários departamentos trabalhavam juntos
de modo unificado.
Estudo
realizado por Morse e Lorsch demonstrou a importância
de se projetar uma organização de modo a que ela se ajuste
ao seu ambiente. Avaliaram-se quatro departamentos, de
uma grande empresa. Dois dos departamentos, que produziam
cofres de carga, operavam num ambiente relativamente estável.
Os outros dois departamentos estavam num ambiente incerto
associado à pesquisa de comunicações. Em cada par, um
departamento tinha sido avaliado como altamente eficaz
e o outro menos eficaz.
Morse e Lorsch descobriram que o departamento de
produção mais eficaz estava estruturado de modo mecanicista,
com papéis e deveres claramente definidos, e que o departamento
de pesquisa mais eficaz estava estruturado de forma orgânica,
com papéis e deveres mal definidos. Por outro lado, o
departamento de produção menos eficaz estava estruturado
de modo orgânico, enquanto que o departamento de pesquisa
menos eficaz estava estruturado mecanicistamente. Resumindo,
as estruturas dos departamentos mais eficazes se ajustavam
a seus ambientes, ao passo que as estruturas dos departamentos
menos eficazes não se ajustavam. |
|
Lawrence
e Lorsch estabeleceram a hipótese de que os departamentos
de organizações como as firmas da indústria de plásticos,
que operavam em ambientes instáveis, seriam mais diferenciados
que os departamentos das organizações estáveis, como as firmas
da indústria de cofres de carga. Raciocinavam, ainda, que
nem todos os departamentos seriam afetados na mesma medida
por um ambiente instável; portando, diferentes tipos de estrutura
poderiam ser apropriados para diferentes departamentos da
mesma organização. Por exemplo, o departamento de pesquisa
de uma firma poderia deparar-se diretamente com muita mudança
e turbulência por causa da constante introdução de novos produtos.
Portanto, seus administradores poderiam adotar uma estrutura
orgânica. Por outro lado, o departamento de vendas desta mesma
firma, com uma lista já estabelecida de fregueses, poderia
não ser tão afetado pela mudança e poderia, portanto, ser
organizado em linhas mais formais e mecanicistas.
|
Lawrence
e Lorsch também partiram da hipótese de que as organizações com
ótimo desempenho em cada tipo de ambiente teriam um maior grau
de integração que as empresas com desempenho mais fraco. A cooperação
e a coordenação eficaz numa organização torna-la-iam mais bem-sucedida.
Os
resultados confirmaram suas hipóteses. Das empresas estudadas,
as que operavam num ambiente instável eram as mais diferenciadas,
enquanto que as que operavam num ambiente estável eram as menos
diferenciadas. Além disso, as organizações com ótimo desempenho
em ambos os tipos de ambiente tinham um maior grau de integração
que as que acusavam mau desempenho. As organizações bem-sucedidas
com um alto grau de diferenciação eram capazes de integrar suas
operações de modo eficaz usando uma variedade de mecanismos de
integração, como comissões e forças-tarefa.
A
tecnologia e estrutura
Muitas
pesquisas confirmaram que as tarefas e as tecnologias de uma organização
também são importantes determinantes de sua estrutura. Alguns
estudos de maior peso nesta área foram os estudos de South Essex
de Joan Woodward e seus colegas em meados da década de 60. A finalidade
destes estudos era descobrir se os princípios clássicos de administração
ensinados nas escolas inglesas eram de fato praticados pelos administradores
e se a aplicação destes princípios tinha qualquer efeito sobre
o êxito de uma organização.
Uma
análise preliminar feita por Woodward e por seus colegas de pesquisa
não tinha indicado relação alguma entre o sucesso de uma firma
e até que ponto ele seguia os princípios clássicos. Os administradores
de algumas firmas bem-sucedidas, por exemplo, pareciam violar
o princípio clássico do "alcance de administração" com
muitos subordinados, enquanto que os administradores de algumas
firmas malsucedidas não pareciam violar este princípio.
Intrigados
com esta falta de coerência, os pesquisadores resolveram examinar
a relação entre a tecnologia de uma firma e sua estrutura para
ver se ela poderia, de alguma forma, explicar o desempenho da
firma. Dividiram as firmas em três grupos de acordo com sua tecnologia
de produção: (1) produção em unidades e em pequenos lotes, (2)
produção em grandes lotes e em massa e (3) produção em processo.
Produção
em unidades refere-se à produção de itens individuais segundo
as especificações de um freguês. As roupas feitas sob medida,
por exemplo, são produzidas em unidades únicas. A tecnologia empregada
na produção por unidades é a menos complexa de todos os grupos,
pois os itens são produzidos em grande parte por artesãos. A produção
em pequenos lotes refere-se a produtos feitos em pequenas quantidades
em estágios separados, como peças de máquinas posteriormente montadas.
A produção em grandes lotes e em massa refere-se à fabricação
de grandes quantidades de produtos, às vezes numa linha de montagem
(como no caso dos automóveis). A produção em processo refere-se
à produção de materiais vendidos pelo peso ou pelo volume, como
os produtos químicos ou os medicamentos. Estes materiais geralmente
são produzidos com equipamentos altamente complexos que funcionam
continuamente.
Quando
Woodward reanalisou as firmas que fizeram parte de seu estudo,
encontrou muitas relações entre processos tecnológicos e estrutura
organizacional:
- Quanto
mais complexa a tecnologia - da produção em unidades à produção
em processo -, maior o número de chefes e de níveis de administração.
Ou seja, as tecnologias complexas levam a estruturas organizacionais
altas e exigem um maior grau de supervisão e coordenação.
- O
alcance de administração dos chefes de primeira linha aumenta
da produção em unidades para a produção em massa e diminui desta
para a produção em processo. Os empregados dos níveis mais baixos
das firmas que produzem por unidade e por processo tendem a
fazer um trabalho altamente qualificado. Em decorrência disso,
tendem a formar pequenos grupos de trabalho, tornando inevitável
um alcance estreito. Os operários das linhas de montagem, por
outro lado, geralmente executam o mesmo tipo de tarefas não
qualificadas. Um só chefe pode supervisionar o trabalho de um
grande número desses empregados.
- Quanto
maior a complexidade tecnológica da firma, maior o trabalho
de escritório e administrativo. O maior número de chefes nas
firmas tecnologicamente complexas exige serviços de apoio -
para fazer o trabalho de escritório adicional, por exemplo,
ou para fazer o trabalho não relacionado com a produção, como
a administração de pessoal. Além disso, equipamentos complexos
exigem mais atenção em termos de manutenção e programação da
população para mantê-los funcionando com um alto índice de utilização.
Woodward
examinou, depois, as firmas de cada categoria de tecnologia para
ver se seu êxito ou fracasso estava relacionado com sua estrutura.
Verificou que as firmas bem-sucedidas em cada categoria tinham,
realmente, características em cada nível tecnológico. Por exemplo,
se o alcance mediano de administração nas firmas que produzem
por processo fosse igual a nove, as firmas bem-sucedidas que produzissem
por processo teriam alcance de administração próximos deste número.
As firmas menos bem-sucedidas, por outro lado, teriam características
estruturais bem acima ou abaixo da mediana de cada categoria.
O
significado desta descoberta é que, para cada tipo de tecnologia,
havia aspectos específicos da estrutura organizacional associados
a um desempenho mais bem-sucedido. Em outras palavras, as firmas
bem-sucedidas eram as que tinham estrutura apropriada a seu nível
de tecnologia. Para as firmas de produção em massa, a estrutura
apropriada estava de acordo com os princípios clássicos de administração.
Mas, nos outros dois tipos de firma, a estrutura apropriada não
estava de acordo com as normas clássicas.
Os
estudos de Woodward mostram expressivamente a influência da tecnologia
na estrutura organizacional. Outras pesquisas pareceram indicar
que o impacto da tecnologia na estrutura era maior nas firmas
de pequenas (como tendiam a ser as firmas estudadas por Woodward).
Nas firmas grandes, o impacto da tecnologia parece ser sentido
principalmente nos níveis mais baixos da organização.
O
pessoal e a estrutura.
As
atitudes, experiência e papéis dos membros da organização também
estão relacionados com sua estrutura. Discutiremos este tópico
em termos das duas categorias de pessoal de uma organização: administradores
e empregados em geral. É claro que os administradores também são
empregados, mas discutiremos os administradores separadamente
porque eles têm influências peculiares sobre a estrutura organizacional.
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Os
administradores e a estrutura
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Os
empregados e a estrutura.
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Os administradores da organização
especialmente os altos administradores - influenciam a
escolha da estratégia diretamente através de suas preferências
por certos objetivos e certas maneiras de se fazer as
coisas. Sua seleção de estratégia, por sua vez, afetará
o tipo de estrutura que surge na organização.
A estrutura organizacional é diretamente influenciada
pelas preferências pessoais dos administradores por tipos
específicos de organização, por maneiras de se relacionar
com os subordinados, clientes e outros administradores
e por maneiras de tratar dos problemas. Estas preferências
se refletem diretamente em vários tipos de estrutura organizacional.
Um administrador com uma forte inclinação para a Teoria
X preferirá uma estrutura organizacional mais mecanicista,
enquanto que um administrador que aceite premissas de
Teoria Y poderá preferir um sistema mais orgânico.
Outras influências sobre a estrutura podem decorrer das
atitudes, de se eles gostam ou não de formalidade e de
suas experiências passadas (positivas ou negativas) com
diversos tipos de projeto organizacional. Alguns autores
acham que a insatisfação cada vez maior com o conceito
despersonalizado, mecanicista, de autoridade organizacional
poderia fazer com que os administradores escolhessem uma
estrutura com menos ênfase na competição pela carreira
e por recompensas individuais e mais ênfase na colaboração
e no desenvolvimento pessoal.
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Fatores
como o nível de educação dos empregados, sua formação,
seu grau de interesse pelo trabalho e a disponibilidade
de alternativas de trabalho fora da organização são importantes
determinantes da estrutura organizacional. Por exemplo,
indivíduos com alto grau de instrução com excelentes alternativas
de trabalho fora da empresa e que gostem de seu trabalho
ficam bem organizados numa estrutura orgânica. Os indivíduos
com baixos níveis de instrução e com trabalho enfadonho
poderiam ser administrados melhor numa estrutura mais
mecanicista.
Muitas
empresas estão tomando medidas decisivas e experimentando
novas idéias para proporcionar um ambiente mais gratificante
a seus empregados. Os programas de enriquecimento e ampliação
do trabalho são exemplos de tentativas de alterar a estrutura
organizacional e os processos de trabalho para atender
a necessidades individuais.
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STONER,
James A. Administração. Rio de Janeiro : Prentice-Hall, 1985.
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