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Princípios
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"Seja flexível e, quando não puder aceitar os termos,
aceite os meios termos. Princípios são balizamentos para o processo decisório e para o comportamento da empresa no cumprimento de sua Missão. Apesar de ser esse o termo mais utilizado, algumas empresas usam outros títulos tais como: Credo, Valores, Política, Filosofia, etc. Para fundamentar a importância de a empresa explicitar seus Princípios, transcrevemos a síntese da pesquisa realizada por A. T. Kearney entre as empresas classificadas, desde 1990, dentre as 500 maiores pela revista Fortune, e divulgada pela publicação Boardroom Reports, em 1989. A pergunta formulada aos principais executivos das empresas foi: "A que fatores você atribui o sucesso de sua empresa ?" A síntese das respostas de empresas como a Coca-Cola, IBM, GE, Johnson & Johnson e 3M, está abaixo.
Na IBM uma das empresas pesquisadas, a importância dos Princípios pode ser constatada nas palavras de Thomas Watson Jr., filho do fundador e atual presidente do Conselho da empresa, citadas no livro "A empresa e seus credos".
A revista Exame de 22/O8/84 publicou o resultado de uma pesquisa para saber o porquê do sucesso de empresas como Odebrecht, Bradesco, IBM Brasil, Ultrafértil, Rede Globo, HP do Brasil, dentre outras. O resultado pode ser sintetizado pelo título do artigo: "Cultura, Passaporte para o Sucesso". A principal revelação da pesquisa foi que "obter a adesão dos funcionários aos Princípios, crenças e valores é um desafio para o administrador e uma garantia de bom desempenho para a empresa." Um dos bestsellers mundiais na área de administração, traduzido para 13 idiomas, o livro "Teoria Z", de William Ouchi, dedica dois capítulos ao tema Princípios, onde afirma que:
Alguns, ao se defrontarem com os Princípios de uma organização, comentam:
Para responder a essas reações, vamos citar um trecho do livro "Virando a própria mesa", de Ricardo Semler, que além de empresário de sucesso, tem sido requisitado para pronunciar palestras até pelo Conselho de Administração da GM Americana.
Já que vimos a importância do assunto, você deve estar se perguntando como explicitar os Princípios da sua empresa. Nossa experiência sugere que os seguintes temas sejam considerados:
Alguns temas são mais aplicáveis a certos tipos de empresas em função do setor no qual atuam. Por exemplo, empresas dos setores siderúrgico, químico, de cimento e celulose precisam explicitar Princípios relacionados com o tema "ecologia". Por sua vez, bancos, empresas de informática e de consultoria precisam enfatizar Princípios relacionados com o tema "sigilo". Entretanto, temas como "ética", "qualidade" e "clientes" são importantes para todas as empresas, independente do setor onde atuam. Para orientar a explicitação dos Princípios, sugerimos que eles tenham as seguintes características para facilitar a assimilação e, conseqüentemente, sua utilização:
Em
1989, os principais executivos e gerentes da Localiza National, empresa
líder em aluguel de carros no Brasil, ao formularem o seu Plano Estratégico
90/94, explicitaram os seguintes Princípios:
O editorial da publicação Privilege News, da Localiza, de nov./dez. de 1991, dirigida a clientes e funcionários, trouxe o seguinte comentário:
Mas não se deve julgar no caso de Princípios, que "palavras são palavras nada mais do que palavras". Na Localiza, o Princípio nº 1 "Expectativas dos clientes orientam nossas ações" está sendo implementado através do programa "Face-a-face", que semestralmente leva os 60 principais executivos da empresa a terem contato direto com os clientes para conhecer, sem intermediários, suas expectativas. Mesmo o presidente da Localiza, Salim Mattar, permaneceu no balcão da empresa no Aeroporto Santos Dumont, no dia 17 de maio de 1991, atendendo e ouvindo os clientes. O primeiro "Face-a-face" descobriu que, dentre as expectativas dos clientes Localiza, a principal era maior facilidade para fazer reservas. Para atender a essa expectativa a Localiza rapidamente estabeleceu uma parceria com a VASP, ampliando sua rede em 1.500 novos pontos de venda. Veja como o "circuito" foi completo:
Meses depois outra expectativa detectada pela Localiza foi referente à qualidade do atendimento, prejudicado nos principais aeroportos devido ao grande fluxo de clientes e ao pequeno espaço reservado para as locadoras de automóveis. Para responder a esta expectativa a empresa inaugurou, em 11 de março de 1992, sua maior filial em um área de 15 mil m2, a 15 Km do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. A nova filial, única dentre as locadoras nacionais, demandou investimentos de US$ 2 milhões e segue o modelo das melhores locadoras americanas. A empresa utiliza microônibus para fazer o transporte dos clientes, das 6 às 24 horas, entre o aeroporto e a agência Localiza. O presidente da Locapar - Localiza Participações e Administração, holding que controla a Localiza National, ao ser entrevistado pelo Jornal do Brasil (11/03/92) durante a inauguração da nova filial declarou que: "Para se manter líder, uma empresa deve sempre seguir à frente das concorrentes e dar os passos mais ousados." Para divulgar esta inovação, a Localiza utilizou a contra capa da edição especial de Idéias Amana (Ano III, nº 8,9 e 10 de 1991) que abordou o tema "Proximidade ao cliente". Parece que a iniciativa da Localiza, de explicitar e divulgar seus Princípios, provocou reação similar em sua concorrente Interlocadora, empresa do Grupo Varig, que também colocou em seus balcões de atendimento um quadro com os "Princípios Interlocadora", conforme mostra a ilustração a seguir.
Havendo seriedade e vontade, os Princípios deixarão de ser "palavras bonitas" e passarão a ser atitudes concretas que geram a fidelidade dos clientes e o sucesso da empresa. A seguir, veremos como outras empresas explicitaram e divulgam os seus Princípios O McDonald's sumarizou sua "McFilosofia" em 4 letras: Q, S, L & V.
Para divulga-la junto aos seus clientes, o McDonald's transcreveu nas toalhas de papel que cobrem as bandejas de serviço um texto explicitando 3 dos seus Princípios.
O American Express, através do seu Inform Express, de março de 1988 (ilustração abaixo), divulgou seus Princípios, que estão também gravados na parede da sede da empresa em São Paulo. A utilização destes Princípios pode ser comprovada lendo a carta de junho de 1991, enviada aos associados e assinada pelo diretor Paulo Monteiro (vide abaixo)
Através desta carta, o American Express, coerente com o 1º item dos Princípios, "O mercado é a força que move tudo o que fazemos", oferece um novo serviço, o "Hospitalcash", que garante ao associado do American Express uma renda adicional durante o período de internação hospitalar, independente de qualquer plano de saúde. A IBM mantém em todos os seus escritórios, sempre em local visível a funcionários e visitantes, um quadro com os Princípios que, explicitados no início deste século, continuam a orientar o comportamento de milhares de pessoas de diferentes culturas e países, que seguem o Credo da IBM: Respeito
pelo indivíduo. Se você quiser conhecer detalhes sobre a utilização prática dos Princípios da IBM, sugerimos a leitura dos livros "IBM Way" tradução publicada no Brasil em 1990 e "A empresa e seus credos", publicado pela IBM. A McDonnell Douglas, que disputa com a Boeing o milionário mercado de aeronaves de grande porte, utilizou a revista Fortune, para divulgar seus cinco Princípios.
A Boeing, líder mundial no setor, fabricando 400 aviões por ano, com faturamento de US$ 28 bilhões em 1991, valoriza a tal ponto seus Princípios que tem em seus quadros um Diretor de Ética Corporativa, Sr. John Impert que em 1991 veio ao Brasil para falar a empresários brasileiros no Simpósio Internacional "A ética no universo empresarial". Segundo o Jornal do Brasil de 23/05/91, a Boeing publicou um folheto de 15 páginas - "Manual de ética na Boeing" - revisto a cada 3 anos pelo Comitê de Ética, e que foi distribuído a seus 160.000 funcionários. A Johnson & Johnson, há mais de duas décadas presente na relação das 500 maiores da revista Fortune, agiu conforme seu Credo, no episódio do analgésico Tylenol. Chantageada com a colocação de cianureto de potássio em seus comprimidos, causando várias mortes nos EUA, a empresa recolheu e destruiu todo o estoque existente no mercado americano, suspendeu a produção e desenvolveu uma embalagem inviolável para o Tylenol. A postura ética prevaleceu sobre o milionário prejuízo. Hoje, o Tylenol é o líder do segmento de analgésicos e a imagem da empresa ficou mais forte ainda. A Johnson & Johnson em "Nosso Credo" explicita, pela ordem, suas responsabilidades junto aos seus públicos relevantes.
Mas não pense que só as gigantes multinacionais dedicam tempo e esforço para explicitar seus Princípios. Empresas nacionais também já descobriram a força que esses Princípios podem ter para mobilizar e motivar seus funcionários, além de servir como balizamentos para o seu processo decisório. A Randon S.A. Veículos e Implementos, líder no mercado nacional, com 2.000 funcionários e US$ 200 milhões de faturamento em 1990 começou na década de 50 fazendo reformas em carroceria de caminhões e hoje até fabrica veículos "fora-de-estrada" de US$ 250.000. Essa empresa reuniu em 1990 todos seus executivos e gerentes na cidade de Gramado, fora do ambiente da empresa, para refletir e formular o Plano Estratégico da Randon, onde foram explicitados os Princípios, divulgados através de folders e posters como mostra o quadro a seguir.
A COPESUL, Cia. Petroquímica do Sul, faturando 727 milhões de dólares em 1990, empresa de reconhecido sucesso que atua como a central de matérias-primas do Polo de Triunfo do Rio Grande do Sul, explicitou seus Princípios e os divulgou através do poster "Nossas Políticas" (na figura abaixo). Para o diretor-superitendente Rogério Affonso de Oliveira, o principal benefício do processo de Planejamento Estratégico foi a utilização efetiva dos Princípios no processo decisório da empresa. Para demonstrar a importância de seu Princípio "Dedicar atenção contínua à preservação do meio ambiente", a COPESUL ilustrou os Relatórios da Administração de 1990 e 1991, com fotos de animais silvestres preservados no "Parque COPESUL de Proteção Ambiental". Ainda no setor petroquímico, podemos citar os exemplos da Petroquímica União e da Salgema. A PQU - Petroquímica União, divulgou seus Princípios através do poster mostrado na ilustração a seguir.
A Salgema Indústrias Químicas, produtora de soda e cloro, localizada em Maceió, também utilizou um poster para vulgar seus Princípios, como mostra a ilustração a seguir.
A SEMCO, empresa dirigida por Ricardo Semler, empresário que "virou a própria mesa", explicitou Princípios e, para divulga-los, utiliza o Manual SEMCO com vasto texto explicativo e ilustrações, distribuído a todos os funcionários.
A WEG, sediada em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, líder principalmente na fabricação de motores elétricos, divulgou através de um livreto de bolso para funcionários, fornecedores e visitantes, os seguintes Princípios:
É importante afirmar que, em geral, as empresas tem Princípios mas nem sempre explicitados, o que reduz em muito sua força como elemento para tornar homogêneo o comportamento e o processo decisório. Lembramos que os Princípios atuam como referências para a atuação dos funcionários no dia-a-dia da empresa. Um bom exemplo é o da Sharp que criou um programa para revigorar a empresa com base no PVS - Princípios e Valores Sharp. Na revista Exame de 11 de julho de 1990, Matias Machiline na reportagem "Sharp encontra o seu eixo", afirmou: "O PVS - Princípios e Valores da Sharp, será uma carta de navegação que nos orientará daqui para frente. Por falta desta carta a companhia perdeu o rumo e passou a ter uma visão apenas de curto prazo, destinada a apagar incêndios." Para divulgar o PVS aos seus 6.800 funcionários, a empresa utilizou um vídeo de 10 minutos em "reuniões comícios", 1.000 cartazes e 10.000 livretos com o título "Conheça a Filosofia Sharp. Agora por escrito e assinada em baixo". Na reportagem da Gazeta Mercantil de 02/07/90, a Sharp inovou ao indicar um "padrinho" para cada Princípio. Para o Princípio "Orientar-se para o cliente", o padrinho é o diretor industrial e não o de marketing, pois a orientação para o cliente começa na área industrial. Abaixo o "PVS" que, de acordo com a Sharp, representa o jeito de ser e os anseios da maioria dos funcionários.
PAGNONCELLI, Dernizo ; VASCONCELLOS Filho, Paulo. Sucesso empresarial planejado. Rio de Janeiro : Qualitymark, 1992. |
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